domingo, 18 de agosto de 2013

AMOR NÃO É DOENÇA.


A que ponto chegamos, classificar o amor, que nas poesias sempre vale a pena de todas as formas, como doença. Involução imperdoável. Aceitamos tantas coisas na vida, nos acostumamos tão facilmente a inúmeras e reais imoralidades cotidianas e resolvemos implicar justo com um sentimento tão nobre. Relações afetivas não são movidas por conceitos moralistas, não podem ficar restritas ao“certo” e “errado”, a tabus, as teorias politicamente corretas. Nossa credibilidade passa a ser seriamente questionável em tempos de “cura gay”.

Na minha pequenez e mediocridade achei que isso não coubesse mais depois de termos virado inúmeras páginas lamentáveis da nossa história. Pós- Século XXI e continuamos assistimos a movimentos contrários ao razoável. No momento em que deveríamos mirar o espaço, estamos querendo voltar para as cavernas, pro escuro, pro primitivo. Digo por que nesse turbilhão todo, ainda existem pessoas que se sentem representadas, confortáveis e seguras (em detrimento a outras que garantem-se em sua perplexidade apesar das pressões sociais). A realidade nos mostra que “ainda somos os mesmo e vivemos como nossos pais”.

Tá faltando coerência. Se existe mesmo uma inversão de papéis defendida principalmente pelas religiões, ela está generalizada. Parte, principalmente, de baixo para cima quando o homem resolve interferir em desígnios garantidos por Deus. Enquanto Ele, até onde me consta, em sua Divina Sabedoria, nos deu o que precisávamos: o livre arbítrio para administrarmos nossas relações com o mundo, o homem, em sua condenável ignorância, no auge de sua prepotência, de uns tempos pra cá tenta “revogar” a Lei do Onipotente. É ou não uma perigosa troca de papéis? Quem somos nós, meros hipócritas, pecadores compulsivos, ignorantes soberbos para nos acharmos no direito de intervir na relação dos outros? Fiscais do pecado? Ditadores do Divino? Inquisidores da liberdade de expressão alheia?

Sobre liberdade de expressão também alcançamos índices máximos de incoerência. Somos muito contraditórios. Primeiro pregamos que amar alguém do mesmo sexo é errado, imoral, pecado mortal, doença. Daí vem alguém e resolve desafiar essa visão fundamentalista e assume um relacionamento homoafetivo apesar das consequências. Não demora e surge o diagnóstico: “está querendo se promover”. Oi? Promover? Mas que estratégia camicaze seria essa, gente? Buscar notoriedade assumindo uma condição sexual diferente num país cada vez mais “temente a Deus”- o que nada tem a ver com fé, diga-se de passagem. Querer alavancar os faturamentos e fortalecer a carreira declarando-se sexualmente livre? Os mais consagrados e ditos transgressores, por mais vanguardistas que foram, optaram pelo caminho inverso. Fecharam-se em sua intimidade, evitaram especulações, negaram-se. Por muitas vezes evitaram assuntos polêmicos ou posicionar-se. Assim conseguiram a “aceitação”. Preciosa e hipócrita. A lista é imensa. Polêmicas mesmo só na arte, na letra das músicas, nas provocações veladas. De que forma afrontar a “maioria” pode ser estratégia aceitável de promoção profissional se o caminho é esconder-se, seja dentro ou fora do meio artístico?

Foi assim chegamos até aqui, estranhando os corajosos, evitando confrontos. O fato é que o amor é transgressão, não patologia. Se não estamos sabendo lidar com suas variações, isso é outra coisa. Definitivamente, não é quem ama quem precisa de “cura” e sim quem não consegue entender a magnitude desse sentimento.

Jr Vilanova, 18/08/13.

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sábado, 10 de agosto de 2013

OLHOS DE FOTOGRAFIA.



Na de tarde de uma sexta-feira, um céu forrado por uma estonteante luz lilás se revela por entre a copa das árvores. Exatamente ali, entre amendoeiras e palmeiras enquanto o sol se põe, como que por encanto, uma lua minguante se posiciona estrategicamente ao lado da primeira estrela do dia... Ah, se meus olhos tirassem fotos! Nesse momento estaria seduzindo o mundo. 

Jr Vilanova.

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domingo, 2 de junho de 2013

LIBERDADE DE EXPRESSÃO X LIBERDADE PARA AGRESSÃO.


Muito se tem discutido sobre uma suposta “ditadura” relacionada a duras críticas e até punições que famosos e anônimos sofreram após divulgarem seus pontos de vista de maneira, digamos, “politicamente incorreta”.

Acho então que a primeira questão a ser respondida é: o politicamente incorreto existe? Se a resposta for “não”, realmente estamos exagerando no policiamento a opinião alheia. Já se ela for “sim”, será praticamente impossível não reconhecer a ignorância insana que move certas declarações.

Exemplos estão aí se acumulando aos montes. Podemos começar citando o caso clássico da jovem Mayara Petruso que em 2010, revoltada com a eleição de Dilma Rousseff, resolveu descarregar suas frustrações nos nordestinos, lançando a campanha: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”. Não satisfeita e ainda sob efeito de uma ira incontrolável, complementou sem pudores: “Brasileiros, agora fodam-se! Isso que dá dar direito de voto a Nordestino”. Sinceramente? Se xenofobia for um exemplo permitido de “liberdade de expressão”, então começo a me solidarizar com a tal censura.
Se dermos um pequeno salto para 2013 ignorando outras aberrações que sucederam esse episódio, analisaremos o caso do professor universitário Kleber Kruger, do Mato Grosso do Sul, que em outro semelhante acesso de raiva, desabafou publicamente: “Hoje cheguei na Federal e encontrei algumas paredes dos cursos de computação e engenharia pichadas com frases como: ‘O amor homo é lindo’, ‘Homosexualismo é lindo!’, ‘Fora machismo’… aaah, se fuderem, seus viados fila da puta!!! Vai pichar suas bundas fudidas.”, diz parte do texto publicado (E acredite, essa não é a pior parte!)  Outra sugestão contida no desabafo fora o fechamento de cursos “formadores de bichonas”. Diferente do primeiro caso, agora estamos falando de um professor, de um orientador, um formador de opinião. Ah, e estamos falando também de irresponsabilidade, desrespeito, despreparo e homofobia.

"A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas! Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato". Não, a frase não veio à tona após ter sido encontrada em uma pintura rupestre ancestral no fim do mundo. Foi disseminada em rede social aos quatro ventos por nada menos que o Presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias. O nome dele você deve lembrar, pois mídia foi o que não lhe faltou desde então. Qual seu proposito além de criar um mal estar não se sabe. Disseminar um pouco mais o preconceito racial, talvez. Definitivamente desnecessária e digna de toda polêmica que gerou.

O movimento é extenso e crescente. O anonimato da internet em muitos casos estimula os covardes. Por outro lado, a promessa de “cinco minutos de fama” atrai canalhas despudorados, pois hoje vale tudo para aparecer. E daí multiplicam-se preconceitos ligados a xenofobia, a homofobia, o racismo, o machismo e coisa que o valha. Se fossem pontuais, nada a temer, mas tem muita gente equivocada por aí disposta a causar estragos voluntaria ou involuntariamente. E muitas outras para apoiar.
Particularmente acredito numa receita simples. Quem desejar garantir seu direito – sagrado- de dizer o que pensa oficial e publicamente precisa apenas ter cuidado para não fazê-lo sem o mínimo de coerência ou bom humor. O problema está na maneira, no sentimento, no propósito. Se existe uma dose generosa de ódio e intolerância, o veneno pode matar e aí o problema é de todos nós, que lutamos para manter o bom senso acima do certo ou errado.

“Liberdade de expressão” não pode ser “terra de ninguém”, isso seria igualmente terrível. Policiando melhor colocações e considerando impactos que elas possam gerar, evitaremos fortalecer posturas radicais que vão de encontro a verdadeira democracia. Quero continuar sendo contestado e garantindo meu espaço para discordar, só não me peçam para aplaudir a ignorância alheia, porque aí seria violação criminosa à minha “ditadura”!

Jr Vilanova.

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domingo, 19 de maio de 2013

APENAS O QUE EU DIGO.




Adoro biografias. Seja na literatura ou no cinema, elas sempre me estimulam a refletir e até a viver melhor. Inclusive, quanto mais densas essas histórias e costuradas com momentos de superação, quanto mais erros e acertos evidenciados, melhor. Tudo que humaniza esses imprevisíveis roteiros me aproxima deles.

Hoje mesmo me envolvi com passagens da vida do cantor paraibano Zé Ramalho através do documentário: “Zé Ramalho – O Herdeiro de Avôhai”, de 2009. O filme, dirigido e produzido pelo jornalista e documentarista Elinaldo Rodrigues, refaz os caminhos do artista e relembra seus principais êxitos e percalços. Aliás, dificuldades no início da carreira são quase que um estágio obrigatório no Brasil. Dificilmente um ator ou cantor não possui um respeitável acervo de agruras pra contar. As dele renderam um registro cinematográfico.

Pois bem, mas além de registrar uma sugestão de vídeo, para não perder a oportunidade, gostaria de promover uma reflexão. Existe um trecho da entrevista onde o diretor lamenta por nenhum de seus filhos terem demonstrado interesse pelo ofício que desempenha e estende o questionamento ao entrevistado. Daí que veio a parte surpreendente, pois após emocionar os expectadores mais sensíveis com seu exemplo de luta, perseverança, persistência e tal, Zé Ramalho é enfático na resposta: “Eu queria que com os meus tivesse acontecido isso que você está lamentando. Eu não queria que nenhum filho meu ingressasse na música, tão ingrato é esse caminho...”

Apesar da justificativa previsível, foi impossível não identifica-la como uma incoerência qualquer. Pra mim naquele momento uma única frase conseguiu enfraquecer todo exemplo de obstinação que veio antes. O que teria acontecido com o retirante nordestino “sem lenço e sem documento” que se tornou exemplo de superação? Teoricamente não deveria ser ele o principal incentivador dos “objetivos impossíveis”? Ou Será que realizar sonhos esgota toda reserva de perseverança que existe na gente? Há o que se refletir, sem dúvidas.

Os filhos que um dia viram pais e geram outros filhos parecem, no geral, mudar de opinião quase que instantaneamente ao fato. Lógico que compreendo a boa intenção de um pai ao alertar um filho sobre as dificuldades existentes na vida, mas ainda assim acredito que essa pode não a ser a melhor atitude. Na verdade, a força que move um desejo verdadeiro é poderosa e, de um jeito ou de outro, todos têm o direito de testar sua capacidade de resiliência. Afinal de contas, se formos bem realistas, que escolhas na vida são capazes de nos garantir um caminhar 100% seguro? E quando falamos em segurança, estamos nos referindo a que mesmo? Dinheiro no banco? Uma vida previsível e mais facilmente aceitável? Casa, comida e roupa lavada? Sossego e quietude? Talvez não.

 Oportunidades criadas pela persistência podem, ao seu tempo, resultar em conquistas grandiosas, mas para que resistam precisam ser valorizadas e não o contrário. Negativas e desestímulos muitas vezes só impulsionam. Romantismo ou não, ilusão à toa ou não, loucura ou lucidez, ainda prefiro crer que todos possuem o direito de alimentar seus devaneios em paz. Tudo que ainda não existe está passível de acontecer.

Zé Ramalho e sua bonita trajetória reforçou em mim uma certeza: por onde passar, não serei eu o portador de nenhum interdito relacionado a força que brota dos convictos sonhadores, pois só eles são capazes de saber até onde podem chegar.
Jr Vilanova.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

AMOR QUE NÃO SE REPETE.




Corrida com taxista falante é sempre certeza de boas histórias. Pescadores e taxistas possuem um acervo invejável de histórias fantásticas. Involuntariamente coleciono algumas. Hoje no caminho do trabalho descobri outra digna de novela das 21h00min. E Global! E de Manoel Carlos!

Em meio ao trânsito lento ele entrou num assunto tão tenso quanto o meu atraso. Aproveitando o gancho de uma música romântica na FM, mandou sem delongas: “Esse negócio de amor não existe. Amor de verdade, quando acontece, só se vive uma única vez na vida, o que vem depois no máximo é paixão”. Uau! Aula de filosofia aquela hora da manhã era tudo que eu não precisava. Contudo, não me restando outra opção, quis saber porquê de tamanha desilusão com a vida.

Não era desilusão, era convicção. Sem o menor constrangimento me contou detalhes de sua experiência sobre o tema. Começou quando era bem jovem vindo do interior de Alagoas e se apaixonou loucamente por uma moça de classe média. Paixão a primeira vista, contudo, exatamente como acontece em toda trama romântica que se preze, a família da moça foi contra o relacionamento. Negro e pobre vindo do interior? Nem pensar. Mas o sentimento era forte demais e radicalizaram, resolveram fugir. Foram pegos ainda na rodoviária quando se preparavam para embarcar pra qualquer lugar onde pudessem ter paz.

Não sabia até ali, mas aquela era a última vez que a veria. A última notícia que lhe chegou depois daquele dia falava da ida dela para uma capital distante e isso era tudo. Sem nenhuma pista restou aguardar por um contato, uma carta, um recado qualquer numa época onde não existia internet ou celular. Em vão. Passaram-se meses, dias que garantiu terem sido os piores de sua vida. Diante de tamanho silêncio e de um sofrimento que não cessava, optou entre casar-se ou enlouquecer (palavras dele). Deparou-se então com uma coincidência irresistível, alguém com o mesmo nome do amor perdido, com características físicas semelhantes que certamente amenizariam sua tristeza. O despreparo masculino para assuntos do coração é mesmo uma cilada.

Tudo certo para o matrimônio. Móveis comprados, casa alugada, aprovação familiar. No dia da festa voltou a sua cidade apenas para buscar alguns parentes. Tempo suficiente para que a mulher que um dia o tinha deixado desesperado numa rodoviária reaparecesse. Embora sem ainda saber que havia chegado no momento mais impróprio de todos aqueles meses, apostava no reencontro. Um ano depois batia na porta do amado novamente. Vinha buscá-lo, havia conseguido emprego para os dois na Grande Metrópole. Agora era pra valer.

Foi então informada sobre o casamento e acusada de responsável pelo insucesso da história. A cunhada que a recebeu questionou o porquê de não ter dado notícias. Retrucou de imediato. Jurou a “ex-futura cunhada” ter escrito uma carta por mês, não ter se desconectado nem por um momento. Ele nada recebeu. Anos mais tarde descobriram que um tio da moça, a quem ela confiou suas cartas de amor para postagem, destruía cada uma delas antes que chegassem ao portador.

Profundamente decepcionada com o desfecho, mas tomada de uma decência invejável, resolveu mudar de planos. Pediu segredo sobre aquela  aparição, não considerou justo estragar aquele momento, frustrar a expectativa de tantas pessoas, gerar situação embaraçosa. Julgou ser tarde demais. Deu meia volta e se foi. Se foi pra nunca mais.

Ele casou indiferente ao ocorrido. Só tomou conhecimento semanas depois. Descontrolou-se. Fora traído pelo destino pela segunda vez. Ainda procurou pela mulher de sua vida, mas era tarde. Havia desaparecido novamente. Continuou sem saber seu paradeiro, como se sua existência não passasse de um devaneio, de uma loucura, de uma mentira. Me garantiu que se naquele momento a tivesse achado, cancelaria o casamento imediatamente e a acompanharia para onde fosse. Falou isso com um olha triste e com voz firme que não me permitiu duvidar nem por um momento daquele conto de fadas de final infeliz.

O casamento, assim como eu desconfiei antes dele concluir, não durou muito. Mas continuou tentando. Conseguiu constituir família. Possui uma relação de mais de 20 anos, quatro filhos criados, 60 anos de lutas e histórias pra contar... mas ficou com sequelas,  não acredita no amor! Gastou todo sentimento que tinha de uma só vez e seu maior lamento vem da impossibilidade de descobrir se pelo menos valeu a pena. Se amar de uma forma tão pouco recompensadora satisfez também a ela, se não foi o único a ver beleza na tristeza, tão viva ainda hoje de manhã.

Se um dia pudesse ter essa certeza, assegurou, saberia que apesar das frustrações colecionadas, tudo valeu a pena.

 Jr Vilanova.

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terça-feira, 14 de maio de 2013

POR DEUS, QUANTA POLÊMICA!





Claro que as relações homoafetivas, embora cada vez mais populares não serão plenamente aceitas. Ilusão à toa. Tem coisa mais simples na fila do julgamento aguardando sua vez! 

Como é que um país que ainda limita oportunidades e salários pelo sexo do candidato(a), que rejeita pessoas pela cor da pele, que necessita estabelecer cotas para que seja capaz de garantir a educação de cidadãos - e ainda assim não consegue- pode, com tamanha naturalidade, aceitar a relação de duas pessoas do mesmo sexo? Melhor mesmo é tentar curar.

Me diga como é que podemos defender discursos de igualdade se ao menos somos capazes de nos reconhecer como iguais dentro do mesmo território? Se nem os nordestinos, com toda sua força e importância conseguiram se fazer respeitados, sendo muitas vezes “afogados” por preconceitos em grandes metrópoles. Como, se comprovante de residência vira atestado de superioridade para muitos?

Na realidade não conseguimos sequer respeitar o time de futebol do outro. Flamenguistas, vascaínos e “o bando de loucos” da Fiel vez por outra se enfrentam até a morte.  Com que cara a gente vai cobrar da sociedade o mínimo de tolerância e bom senso?

Isso porque ainda não entramos no campo da religião e da política, que dizem não se discute! Aí, por incrível que pareça, é que se estabelece o verdadeiro “vale-tudo”. Nem a onipresença de Deus é capaz de explicar como Ele pode estar no Terreiro e na Capela ao mesmo tempo. Vale então condenar irmãos ao temido inferno justificando as passagens santas... vale aceitar ser representado por  alguém que fala de direitos humanos fechando as portas pras minorias. É normal por enquanto, temos mais o que aprender.

Relacionamento gay que nada. Antes o ser humano precisa saber se existe mesmo vida após a morte. Se já existiu vida em Marte. Como salvar a Amazônia. Tem que aprender a votar direito, a exigir respeito. Entender que não é a escola que educa um filho. Escutar mais Daniela e menos Joelma. Viajar mais, ler mais, assistir menos novela.  



Diante de tantas emergências, apoiar casamento gay representaria suprimir etapas. Não podemos ser tão exigentes. Até lá vamos esperar sentados em nossos confortáveis sofás... principalmente "os escolhidos”: os heterossexuais, brancos, ricos e devotos de Silas Malafaia e Marco Feliciano. Sentados pelo menos até que nossas próprias convicções, quando dispostas a refletir libertas, cresçam e apareçam.

Jr Vilanova.

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domingo, 3 de março de 2013

"CACHORRADA"!


Esse famigerado ditado popular que pede pra gente tomar cuidado com o que se deseja precisa mesmo ser levado a sério. Já comprovei algumas vezes, mas sinceramente não sei o que falta pra me convencer... teimoso!

 Vivíamos na maior paz aqui nessa rua ensolarada, exceto pelo costume irritante de uma vizinha de passear com seus cachorros sem coleira. Quando sem tempo, sequer se dava o trabalho de acompanhá-los, abria as portas e tipo: “vão se divertir”! E lá iam os arruaceiros. Sempre reunidos em três ou quatro, liderados por uma cadela esguia e desconfiada pregando peças. Considero uma irresponsabilidade tratar esses animais como "crianças educadas passeando com a mamãe", porque não assim que eles se comportam, nem poderiam. Fora de casa precisam de limites.  No mínimo de uma coleira longa e confortável para entenderem algo, mesmo que institivamente, sobre o tema “o espaço que é do outro”! Os dentes daqueles bipolares caninos implicantes, por exemplo, não tinham nada de infantil.

Dentro de nossos lares tudo bem, fazemos o que bem entendemos, livramos os nossos bichinhos de qualquer responsabilidade, nos visita e corre riscos quem quiser. Já numa via pública não há escolhas. Tem cachorro que faz xixi nas costas de distraídos, avança repentinamente em passantes, confunde esportistas com fugitivos da justiça e saem em disparada... até uma inocente brincadeira entre crianças- de verdade - pode se tornar uma ameaça na visão de um irracional. Nem precisa chegar as vias de fato, basta um latido convincente, uma dessas corridas curiosas em nossa direção e pronto, “aqui jazz um cardíaco”, e pior, que nem sabia que sofria do coração! Exagero? Comigo pode funcionar até com o coração em perfeita ordem. Todo cuidado é pouco quando estamos falando de instintos animais.

...

Voltando a vizinhança... Sim, caros amigos, eu rezei. Ainda que num protesto pacífico e civilizado, rezei e não seria sonso de negar. Mas rezei bonito, com bastante fé que era pra que Deus os abençoá-los com uma casa maior, linda, com metros e metros de um jardim florido para as "crionças" poderem gastar energia sem comprometerem a ordem, nem as canelas alheias. Coincidências a parte, após um logo e rigoroso inverno, não é que a família resolveu respirar novos ares? Mudaram-se e os "totós" até mais simpáticos foram junto. Joelho no chão assim que soube da notícia... depois corri pra fazer duas coisas: minha numerologia e meu jogo na loto, os astros deviam estar em sintonia.

Feliz eu? Fiquei, mas já estou sendo obrigado a rever meus posicionamentos. Chego a blasfemar contra minha própria sorte: quero os cachorros de volta. Imagine você o meu erro de leitura, não foi sorte, foi castigo (devia ter concluído o mapa!)! Foram os irracionais saindo por uma porta e os “Sem Noção II, A Missão” entrando pela outra. Latidos foram substituídos pelo set-list que tocou na festa de Satanás, acredito eu. Embora as tardes de sábado estejam seguras para caminhadas, agora foram deformadas em beleza  por intermináveis festas familiares regadas a muito brega, seresta, repertório de trio elétrico de quinta e afins.  Advinha o endereço? Lá mesmo, na “Casa Monstro”. Não dá pra abstrair, até porque, a nova família é como tantas outras, que de tão simpáticas, acreditam que toda vizinhança precisa participar de seus momentos íntimos... não, obrigado. Vou ter que rezar em dobro agora, e mais, em alto e bom som, senão a oração não consegue ser ouvida lá em cima! Quero meus sábados silenciosos, agradáveis e bucólicos novamente. Esse não é mais um caso para "carrocinha".  Sugestões além do 190?
 
Jr Vilanova.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

DESPERTAR (FELIZ 2013)!





Tá indo embora. Restam apenas algumas velhas horas. Não demora e um ano novinho em folha se fará presente, tudo novo de novo.

Para alguns nada além de uma catarse coletiva, para outros uma nova oportunidade que trará consigo outros tantos desafios. E entre certezas concretas e potenciais delírios generalizados, quem estaria de fato com a razão? Pra mim, sinceramente, ambos. E antes de declarar minha posição, gostaria de adiantar que a vida será sempre do jeito que acreditamos que ela é. Se a simples sucessão de minutos, segundos e dias iguais são suficientes para construção de uma história vitoriosa, feliz, de uma realização pessoal e profissional, pra quê branco, ondas, champanhe, fogos iluminando o céu? Nesses casos, todo dia pode ser 1º de janeiro.

Bastam previsíveis 24 horas para transição. Como um passe de mágica, um ano cansado se vai enquanto outro novinho começa com força total. Mas o movimento não é tão cíclico quanto aparenta, alteram-se ainda as formas de contagem, de comemoração, diferem-se datas e previsões. As simbologias estão por toda parte, compactuando com esperanças de quem acredita no poder de um renascimento tão repentino. Particular e parcialmente, devo declarar que acredito. Eu creio! Considero uma tremenda falta de criatividade desconsiderar certas tradições. Minha posição é ponderar sim o poder que elas possuem, principalmente quando chegam pra quebrar rotinas, pra estimular o pensamento, pra provocar transformações e aproximar pessoas.

Também não estou fazendo apologia a nenhuma “filosofia abracadabra”, embora não desconsidere em absoluto realidades paralelas. Acho importante esses “starters” que a vida nos dá. São momentos estratégicos onde ativamos sentidos. Na verdade, nos condicionamos a um “despertador” sempre apostos, nos obrigando a levantar, lembrando que é hora de algo importante acontecer. Simbologia perfeita. O Ano Novo nada mais é que um alarme interno que soa de forma generalizada, simultaneamente, nos lares mais diversos.

Alguns, como numa segunda-feira ingrata, preferem ignorá-lo, optam por mais 5 minutinhos, por mais 5 dias, 5 meses, mais 5 anos.  Mas não é isso que gostaria de desejar a você nesse dia 30/12/12 às 23h25min. Pelo contrário. Aproveito o tema, o dia, o clima e meu estado emocional de sempre pra dizer: desperte! Resumo tudo numa palavra, num sentimento. Sei que intenções por si só as vezes não são suficientes, ainda mais quando a vida é do outro, mas posso lhe garantir que são o começo de tudo. MAS TUDO PODE SER NADA também, se não houver consistência!
“Trimmm, Trimmmmm, Trimmmm”! Vamos, levante-se em direção a um ANO NOVO FELIZ! Chegou a hora... Ou vai esperar esse despertador tocar de novo?!?
Jr Vilanova.

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domingo, 23 de dezembro de 2012

ILUMINA!



Uma das coisas que mais me chamam a atenção no Natal são suas luzes. Natal pra mim é sinônimo de claridade, iluminação. Considero todas essas casas e ruas enfeitadas a simbologia perfeita de uma das datas mais especiais do ano.

Toda vez que desejo um “Feliz Natal” pra alguém são essas imagens que vêm a minha cabeça. É o que realmente espero pra elas, uma vida acesa, um caminho claro, alegre, bonito.  O que poderia ser mais especial que um novo ano nessas condições? Muita coisa, eu sei.  Ok, mas ainda assim prefiro acreditar que a iluminação possa trazê-las a reboque.

Desejo então um pouco mais de luz na casa e na vida das pessoas que conheço e amo. Na casa das que desconheço, mas tenho carinho. No lar dos que me querem bem e até dos que por ventura não querem tanto assim. Que a cada prece, a cada ato de caridade, de renuncia, de humildade e honestidade, uma luz se acenda no caminho de todo esse pessoal. Aos que odeiam e erram feio e bastante, que se apaguem também. Toda vez que o egoísmo, a intolerância, o preconceito fizerem morada em suas casa. Mas que as lâmpadas queimadas possam ser substituídas a medida que o arrependimento, o bom senso, a ponderação equilibrem essa balança.

Talvez assim, com tantas luzes acendendo e clareando, apagando e sendo substituídas, fique mais fácil pra gente lembrar que o Natal precisa e pode ser todo dia. Que Jesus Cristo nasceu dia 25 de dezembro, mas que a data pra comemorar, ajudar, ser solidário se instituiu a partir de então e toda vez que a gente coloca o pé no chão, que um novo dia amanhece, esses sentimentos precisam se renovar.

Obrigado a todos que direta ou indiretamente iluminaram meus dias ao longo desse ano. Os que a iluminam desde que me entendo por gente. Aos que chegaram depois com uma proposta permanente de iluminação. Aos que partiram. E também aos que tentaram apagar a luz da minha vida, mas me ajudaram a estar mais vigilante e forte.

Meu Feliz Natal à você, que acreditando ou não em Papai Noel, não deixou morrer a poesia e a esperança, energias necessárias para gerar toda essa claridade!
Jr Vilanova.

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terça-feira, 1 de maio de 2012

'DIA DO BATALHADOR'




Para o pescador que surpreende o sol  todas as  manhã. Homens que com maestria e muita coragem desafiam  ondas e incestezas em busca do  sustento dos seus. Pessoas que aprenderam na simplicidade a decifrar o  segredo das estrelas e se embrenham noite a dentro, mar a dentro, escuridão a dentro, guiados apenas pela experiência, necessidade  de sobrevivência e muita fé. Pra eles a minha homenagem!

Para o simples... para o  vendedor de picolé, que cedo madruga, de sandália velha no pé, empurrando seu sustento por ruas e asfaltos,  percorrendo tantas distâcias e que ainda assim, quando o assunto é o sustento do seu lar, nunca está cansado.

Para o resignado catador de papelão, que passa por cima do orgulho e sem maiores constragimentos. Homens franzinos que puxam suas carroças com dignidade, expoem-se ao sol e aos olhares, reviram a cidade em busca de sua matéria prima. Para eles a minha admiração.

Para o agricultor, que promove milagres ao dar vida ao alimento que nos serve à mesa.

Aos voluntários, que mesmo nas horas vagas doam o tempo que lhes sobre para a caridade, causas sociais, para  preservação do meio ambiente, e nesse momento estão trabalhado para melhoria de vida do planeta.

Pessoas que, mesmo num mundo violento, cheio de falcatruas e contravenções, dizem "não" as tais "facildades" da criminalidade. Gente honesta que oferece a força de suas esperanças através de um trabalho suado, sacrificado, persistente.

São esses os trabalhadores mais verdadeiros que reconheço. Batalhadores em sua essência. Pessoas capazes de transformar seus fardos em meio de sobre vivência e, muitas vezes, suas limitações intelectuais em sustento digno.   Como disse a canção certa feita, são filhos de uma "força que nunca seca"!

A todos os batalhadores do Brasil o meu abraço e admiração!

Jr Vilanova. 

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domingo, 22 de abril de 2012

CAPITÃO DO MATO (Homenagem ao Dia Internacional da Terra)

Com Sr. Osvaldo Timóteo, plantando a primeira árvore da minha vida.


Poucas coisas conseguem ser tão especiais como um bom exemplo. Conhecer histórias de sucesso de perto pode ser algo transformador a medida que nos ensina a viver. É por isso que hoje, 22 de abril de 2012, Dia Internacional da Terra eu gostaria de compartilhar uma das lições de vida mais incríveis que já recebi. Ela nasceu em 1930, junto com um visionário chamado Osvaldo Timóteo.

Tinha apenas 8 anos quando vislumbrou pela primeira vez o seu sonho. Numa época onde ecologia e sustentabilidade não eram nem de perto uma prioridade, preservar virava seu lema, sua filosofia de vida. Hoje ele tem 80 e sorri toda vez que relembra os caminhos que contribuíram para concretização de seu objetivo. Seu Osvaldo é um predestinado, um mensageiro e eu, você e toda humanidade temos muito a agradecê-lo.

Conta que ainda menino, satisfeito com a simplicidade de sua vida no campo e na tentativa de reter de alguma forma tal felicidade, fez-se uma promessa: um dia teria uma propriedade e a transformaria num recanto natural de muita beleza e vida. E como todo bom guerreiro, não ficou só no sonho. Fez de tudo, foi comerciário, político, fazendeiro. Construiu uma cidade, criou 10 filhos, criou gado, plantou cana de açúcar e numa época em que álcool e açúcar eram mais valiosos que ouro, resolveu que o dia de concretizar seu desejo havia chegado.

Quando revelou seus planos a extensa família, no auge lucrativo da propriedade, todos estranharam. Chegaram a desconfiar: “ele deve estar com algum sério problema”! Mas felizmente logo perceberam que somos nós, os materialistas, que padecemos da verdadeira insanidade.

Em meados de 1996, dando a todos uma noção de sua grandeza, substituiu seus pés de cana pelos atualmente frondosos Paus-Brasil, Craibeiras, Ipês. Devolveu moradia segura ao gato-maracajá, as capivaras, aos quatis. Permitiu que as cigarras e incontáveis espécies de pássaros voltassem a cantar sem preocupação.

Desde a sua exemplar atitude, a RPPN Osvaldo Timóteo não mais lhe pertence e sim a nós, aos nossos sobrinhos, filhos, netos. Atualmente o simpático Sr. Osvaldo cuida, mas não detém poder sobre seus hectares. Os compartilha com toda humanidade e talvez por isso, cada visitante que por lá passa não costuma retornar sem plantar uma árvore!  Com esse exemplo eterniza seu nome nessa encarnação, nome que é  repetido com orgulho pelos que tiveram o prazer de conhecê-lo.

Parabéns a Terra! Parabéns a esse capitão do mato! Cidadão que com as próprias mãos afaga a terra, conhece os desejos da terra e a propícia estação de fecundar o chão que pisa com sabedoria!


Jr Vilanova.




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BUROCRATIZAÇÃO DA RISADA


O humor está em "pânico". Humoristas afirmam que estamos mais “caretas”- aliás, até a expressão já está bem ultrapassada-. Dizem que estamos vivendo a onda do politicamente correto e ela é uma ameaça ao humor inteligente. Clamam pelo direito de usar e abusar de certos tabús existentes, fazendo suas piada sem olhar a quem. A reprovação da maioria tem sido entendida como uma espécie de julgamento antidemocrático, como uma verdadeira ditadura. Estaríamos vivendo “burocratização da risada”?...

Muitos já se deram mal, tornando suas piadas assunto de polícia. Assim, pressionados por um conservadorismo interpretado como intolerante, os chegados num escracho tiveram que criar alternativas. Alternativas politicamente incorretas, lógico, para seguirem com seus stand-up´s sem aporrinhações. Nasceram então os “proibidões”! Já ouviu falar? Espetáculos construídos com o que de menos indicado existe em matéria de respeito às diferenças. Aliás, entendamos “o que de menos indicado existe em matéria de respeito às diferenças” como o velho e conhecido “humor negro”, agora repaginado.

Pois bem, por conta disso, o assunto ganhou manchetes e vem sendo alvo de muitos debates, promovidos principalmente pela classe prejudicada, que, sob os olhos atentos de seus algozes, clamam por uma sociedade menos rígida...

Só pra variar, insisto numa opinião contrária. Acho mesmo é que nunca fomos tão tolerantes. Isso é um dado positivo? Seria se a tolerância não estivesse tão focada na cultura inútil... movimento perigoso! Desconfio inclusive que estamos ficando mais patéticos que o aceitável e menos criteriosos também... e os humoristas que me perdoem. Desenvolvendo uma atração – fatal- pelo ridículo, pelo riso fácil que não exige o mínimo de esforço, empobrecemos. São os os tais dos "memes" invadindo os vídeos da net e fazendo a alegria da geral da nação, que sem critérios, clicam compulsivamente no "curtir". 

Quer saber do que estou falando? Então faça uma retrospectiva dos últimos sucessos avassaladores de humor na internet e assombre-se com tamanho besteirol. Constranja-se como eu dos bordões desconexos nos vídeos que você compartilhou empolgado nas principais redes sociais. Basta alguém resolver degustar seus “bons drik”, assassinar o português,tomar um banho de piscina de porre e filmar tudo isso para que surja uma catarse nacional! E esse é só um exemplo, pois se o time perdeu levando crianças as lágrimas, se o filho de alguém se recusou a tomar banho, se o dente alheio inchou ou quebrou ou o tombo foi filmado, multiplicam-se os nossos "kkkkkkkkk", "eheheheheh", "rsrsrsrsrsrs" de cada dia!

Parece piada e antes fosse. Mas está mais para uma contradição. Voltando a medida certa para o humor, concordo que a onda de processos proveniente dos ofendidos tem sido exagerada, mas também enxergo o movimento como uma tentativa de chocar e ridicularizar sem muito propósito. Todo mundo quer ser humorista, já notou? Todo mundo quer fazer "stand-up" e com tanta concorrência, quem mete o pé na porta com mais força acredita ter alcançado seu diferencial! E quem ri mais? O mais bobo? Bom senso é o que eu recomendaria se pudesse.

Não estou do lado dos bons costumes, nem dos inconsequentes. Só acho que alguns assuntos, até no humor, merecem ponderação.

Chega de vídeocassetada... "para noooossa alegrriiiaaaaaa"!  

Jr Vilanova.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

"Do acarajé, do carnaval, de todos os santos..."

Pelourinho, Salvador, Bahia. Fev. 2012


Do outro lado da linha alguém lhe pediu uma informação. Ele reconheceu o sotaque e perguntou:

- A senhora é de Salvador?

Ela confirmou. E ele, feliz por falar com alguém de uma cidade que ama tanto, tentou ser simpático:

- Que maravilha! Terra do acarajé, do carnaval, de todos os santos...

Extremamente irritada ela retrucou com violência:

- Tá amarrado, tá repreendido!!!

A história é verídica, recente, e é por causa dela que hoje, aniversário de Salvador, eu gostaria de pedir que a cidade não deixasse sua cultura - linda e essencialmente negra - sucumbir mediante a intolerância religiosa!

Que a cidade não perca jamais sua característica mais bonita: a capacidade de promover o sincretismo religioso e o respeito a diversidade de crenças... padres, pais de santo e pastores unidos num único objetivo: a paz e o respeito entre os povos!

Parabéns, Salvador! Que sua arte e seu povo não emburreçam jamais!

Jr Vilanova.

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domingo, 25 de março de 2012

A RINHA DA HIPOCRISIA


Serei polêmico. Dividirei opiniões, mas irei direto ao assunto...
Sei não, mas desconfio que, enquanto campanhas para que esportes como MMA tornem-se paixão nacional forem aceitas com tamanho entusiasmo, não poderemos falar de paz sem sermos hipócritas! As inúmeras caminhadas nessa direção nunca chegarão longe o suficiente.
Uma agulha fora do palheiro. É assim que me sinto ao observar a catarse das pessoas quando a TV anuncia o próximo combate. "U-hu"! O apelo popular tem sido tão significativo que lutadores acabam de virar astros de Reality show. A modalidade veio para TV aberta com tanta força que foi até tema de novela... e das nove! Antes disso muitos artistas e personalidades esportivas já faziam coro nas platéias em volta dos octógonos, o que por sinal considero um péssimo exemplo. 
Não entendo como alguém pode desejar um mundo menos violento e ir ao delírio com a imagem de dois marmanjos se degladiando numa arena. Os objetivos não me parecem lá muito justificáveis: ver a luta terminar e eleger o gladiador mais agressivo. Ah, e depois disso torná-lo um herói nacional! De preferência os que derrubam o oponente num golpe só. Tarefa difícil? Façam suas promessas para “São Anderson Silva” , só pra garantir! 
Na boa, isso não deveria ser algo medieval? Pois é, mas pelo jeito ainda não viramos essa página sangrenta. Deve existir em nós, latente, uma força ancestral qualquer, vinda lá da pré-história, que nos impele a delirar com estímulos do tipo. E até quando não são assumidamente “do tipo”, tratamos de garantir uma porradinha pra não perder o costume... está aí a selvageria dos estádios de futebol que não me deixam mentir.
O mais intrigante, porém, é que não demora para voltarmos as nossas queixas cotidianas, sendo a principal delas a crescente violência no mundo... mas a culpa é das autoridades que não aumentam a segurança nas ruas, não é assim? A falta de sanidade dos que distribuem socos, pontapés e chutes certeiros gratuitamente no trânsito, na porta da escola ou da boate é mero detalhe. Resolver as coisas no grito, com as próprias mãos, mais parece uma meta para subir ao podium da ignorância. É a “porrada” quem determina o vencedor também nas questões da vida real. Pudera...
Querem saber, somos sim uns belos de uns hipócritas. Clamamos por um mundo melhor, mais civilizado e continuamos presenteando nossas crianças com revólveres, tanques e soldados prontos pra guerra - no caso das meninas, um fogão, uma vassoura, um conjunto de panelas, mas aí já é outra história. Pode até soar clichê, mas creio que a paz começa em casa, que gentileza gera gentileza. Eu acredito nos pequenos gestos. Estamos tratando assuntos delicados com uma naturalidade irresponsável. Vivemos abrindo exceções, arrumando desculpas e as coisas ficando a cada dia mais insustentáveis, tanto para quem bate, quanto pra que apanha.
Ah, e  que não haja confusão, ao contrário do que possa parecer, o alvo das minhas críticas não são as lutas movidas a muita testosterona e muitos milhões de dólares.  Essas são opcionais, assiste, bate e apanha quem quer. Meu alerta vai além, meu alvo é a condescendência que nos impede de evoluir conceitos. Por fim, “diga-me o que fazem seus ídolos e eu te direi o que realmente almejas pra si”!
Jr Vilanova.

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segunda-feira, 19 de março de 2012

PENSAMENTO SOLTO

(Ilustração Getty Imagens)

Blog Contatos Imediatos, aqui me tens de regresso!

Estive longe por um logo tempo... é que estive ocupado sendo feliz. Ainda mais quando a missão é ser feliz em fevereiro, aí sim é uma tarefa fácil!

Desde o meu último contato, "você não sabe o quanto caminhei". Do carnaval da minha amada Salvador ao clima convidativo da bucólica Garanhuns as paisagens se alternaram como num filme. E entre um porto e outro, muito trabalho, outros tantos desafios e uma infinidade de descobertas. Viver assim tem sido tão gratificante...

Retorno aos poucos, ainda tímido, mas com a mesma vontade de tratar de vários assuntos. Aliás, todos os imagináveis, que como nunca têm povoado minhas reflexões diárias. São tantos, tão diversos que mal tenho tempo de retê-los. Passam por mim numa velocidade tal que muitos deles entram na fila mais de uma vez. Tornam-se velhos e bem-vindos conhecidos.

Adoraria dividi-los com a mesma frequencia. Se capaz eu fosse de traduzi-los na mesma intensidade. Seria um prazer. Não porque eu precise, tão pouco por acreditar numa ansiedade externa, mas por acreditar que compartilhar talvez seja a única e efetiva maneira de ter pertencimento sobre algo.

Prometo me esforçar, então. Estar mais preparado para segurar esses pensamentos pelo tempo necessário de imortalizá-los, mesmo sem a intenção de aprisioná-los por um instante que seja. O caminho é outro. Apenas rever a matemática das minhas horas, por exemplo. A minha gestão pessoal de prioridades... e a comunicação é uma delas.

Minha comunicação é uma gaiola antiga que a muito fora aberta e por mais que se tente não se tranca mais. O pensamento libertou-se desde então. Pensamento solto, sonhos que ganham asas.

E assim deixo meu recado, sem hora marcada pro novo encontro. Tá tudo aí. No mais eu só quero continuar viajando.

Jr Vilanova.

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