domingo, 11 de julho de 2010

CONCRETAS ESQUINAS - PARTE 2


"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma". A afirmação é de  Fernando Pessoa e ilustra perfeitamente o  assunto que trago pra nós agora. Dentre os efeitos transformadores existentes na vida de um ser humano, ler e viajar estão entre os mais significativos... ou será que essa concepção representa algo muito pessoal? Duvido. Ninguém seria audacioso o bastante para contestar a máxima, a não ser que nunca tenha tido a oportunidade de se lançar... mergulhar... de alçar vôos impulsionado pelo que viu, pelo que descobriu, sentiu depois de ter sido tocado pela informação, pelo novo. Penso, vejo, sinto, viajo, leio, logo existo!

Depois de pessoa, a sabedoria de Chacrinha.

Aportei aqui pra continuar o nosso papo inacabado sobre a minha última viagem e nessa segunda parte do post "concretas esquinas", gostaria de contar um pouco sobre a minha visita ao Museu da Língua Portuguesa. Quando optei por visitar o local, que fica no complexo de prédios da Estação da Luz, já imaginava que a visita fosse me proporcionar algo no mínimo interessante, só não estava preparado para ser surpreendido. Ter as expectativas superadas é no mínimo excelente, certo? Pois é, cheguei por volta das 12h:30 min. e tive a sorte de ser encaminhado direto ao auditório, no terceiro andar, para uma tal sessão que iniciaria pontualmente às 12h:50 min. Não tinha idéia do que me aguardava e é principalmente dessa surpresa que estou falando.

A sala não estava cheia, mas logo que a voz de Fernanda Montenegro começou a declamar o  roteiro do filme, todo espaço vago fora instantaneamente preenchido. Com seu talento, a gigantesca atriz generosamente ajudou a desvendar, a entender melhor nossas origens, misturas e as quase infinitas nuances do nosso idioma, visto que a comunicação é também um fato social. Contudo, apesar da força e da credibilidade impressas em sua voz, a grande estrela eram as palavras e seu poder de instituir relações. Naquela  tela imensa  a língua portuguesa passou a ter rostos, cores, sotaques diversos. Tudo muito interessante, mas ainda não o bastante...

Olha só, considerando que alguém aqui pode não ter ainda passado por essa experiência, não gostaria de estragar o efeito surpresa. Evitarei os por menores. Mas posso adiantar que a grande mágica fica mesmo pro final (ou pro começo, se olharmos pelo ponto de vista de que a visita  estava  só no início). De repente,  a poesia salta aos olhos, invade nossos ouvidos em meio a necessária escuridão e desenhos feitos a laser tomam as paredes do prédio. Imagina só que loucura! Aí então, silenciosamente, entendemos de fato o que representa a palavra: expandir. Experiência inesquecível. Recomendo demais.

De tudo que vi e ouvi, registrei um breve videozinho e coloquei no youtube pra poder compartilhar a sensação de pisar naquele local que eu batizei de "um chão de poesias"...  


Outro momento interessante, claro, foi poder interagir com o acervo e as exposições. "Erros nossos de cada dia" me chamou mais atenção. Através das frases expostas num gigantesco painel, era possível  lançar um olhar sobre as diferenças existentes entre a nossa fala e a escrita, possibilitando então a melhor reflexão sobre os nossos atuais conceitos de "certo" e "errado" nesse contexto. Melhor ainda foi concluir que não existe uma resposta definitiva, visto que fatores como o nosso grau de escolaridade, a capacidade de comunicação, o lugar em que vivemos, a nossa época, tudo pode representar um determinante para a mudança da nossa forma de comunicação. Muitas vezes o "padrão" culto do português  perde espaço para expressões mais usuais, aquelas que normalmente utilizamos em nossos núcleos e que conseguem cumprir o seu papel de comunicar tanto quanto. Vejam as fotos:

O painel trazia mil possibilidades de reflexão e aprendizado.
Ouvidos atentos as explicações
Minha amiga Josy e suas preferências.

Passeio excelente. As horas voaram. Em outras partes do Museu me diverti com os totens que disponibilizam, através de uma comunicação falada, explicações sobre os significados de palavras de diversas origens (entre eles, o do Português falado nos demais países lusófonos). Explorei um grande mapa do Brasil, onde podemos escolher aleatoriamente uma região e  ver e ouvir depoimentos de diversas pessoas, no intuito de sentirmos os  múltiplos “falares” brasileiros. Essa foi ou não uma super viagem? Queria destacar ainda a possibilidade de acompanhar a evolução da comunicação no Brasil e suas diferentes características ao longo dos anos. Vejam algumas fotos desse cronograma fantástico:

Alguém aí chegou a comprar algum desses exemplares nas bancas? Melhor não responder.
Exposição "Óculos": "uma nova forma escondida em meio ao visível".
Virei DJ da poesia.
Poesias por todos os lados. Momento de inspiração.
No Museu pude me sentir em casa!
Testes estão espalhados para medir o nível do nosso português.
Nada mais a declarar.

E aí, gostaram? Preciso parar por aqui. Viajar é bom, mas quando a viagem é muito longa, a vontade de voltar pra casa só aumenta no final!
Deixo beijos e um desejo de boa semana pra todo mundo. Até a próxima.
Jr Vilanova.

7 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá menino
Seu post ficou perfeito, mas por mais que se fale e mostre, só vendo ao vivo, para se ter noção da grandiosidade do Museu da Língua Portuguesa em Sampa.Parabéns pelo post.
bjux

Renan disse...

Que lugar maravolhoso!... Tão importante essa iniciativa do Estado de São Paulo. Seria bom que houve-se uma exposição intinerante nestes mesmos moldes, ou parte. Quando fui a São Paulo infelizmente não pude visitar esses lugares tão representativos.
Parabéns, gostei do post.
Felicidades.

CRISTIANE disse...

Ai, ai, que vontade que me deu de fazer esse programa super especial que voc~e indicou, meu amigo... você sabe mesmo como deixar a gente com 'água na boca'! O post está lindo, as fotos, o vídeo, o poema... AMO seu blog!

MIL BEIJOS DA CRIS.

Junnior disse...

Eu gostei muito. Uma viagem de cultura. Na parte em que você mencionou os "erros nossos de cada dia" me lembrou uma frase do Pedro Bial, na qual ele afirma que o certo é se fazer entender.
Parabéns pelo exemplo.

Sandro Omena disse...

Querido,
Maravilhosa esta segunda parte de CONCRETAS ESQUINAS. Você realmente conseguiu arrumar neste post o que ficou de espetacular nesta visita. Gostei demais do que você mostrou junior. A lingua Portuguesa na sua plena exploração deixa claro o quanto que se tem para conhecer. É um universo de informações, textos, poesias, curiosidades que nos faz prender a atenção. Confesso que não conheço o museu da Lingua Portuguesa de São Paulo, e nunca fui instigado por alguem a conhecê-lo. Que bom que você contribuiu e contribui e muito com suas postagens. Tenha certeza que ao visitar mais uma vez Sampa o primeiro prédio a ser visitado será o do museu da Lingua Portuguesa. Foi como Renan falou pena que não há incentivo para uma exposição itinerante do que este museu tem para mostrar. Por outro lado, gostaria de aproveitar e lamentar a falta de incetivo dos nossos governantes para com as nossas bibliotecas. Comecemos com a biblioteca pública do Estado que fica localizada no centro. Queridos o que é aquilo! São acervos antigos com total descuido e desprezo, sem falar que para encontrar livros atualizados é como encontrar um alfinte no mar. Cadeiras e bancos deconfortaveis ajudam a piorar ainda mais a permanência de quem gosta de ficar bom tempo nas letras. Como Professor e educador percebo que não há cobranças por parte da população em melhorar a biblioteca, talvez pelo fato do desinteresse pela leitura. Quanto as livrarias de nossa cidade lembro com saudades a Livraria Caétes que na minha adolescência adorava ficar por lá lendo e relendo os livros que gostava. Atualmente fechou uma outra livraria que gostava muito de ir, e considerava a melhor livraria do nosso estado, pois lá encontrávamos diversos livros exclusivos - trata-se da Livraria Prefácio. Senão estou enganado a mesma fechou este ano. Porque será que fechou hein!? Parece que a população não se interessa muito por leitura, né! Mas enfim, acredito que se o povo não mantém interesse por bibliotecas porque os nossos dirigentes manterão não é mesmo!
Parabéns Junior pelo post. Grande beijo

Wanessa Vila Nova disse...

E mesmo que o post não tivesse uma palavra,as fotos falam por si só... A viagem de nós que só lemos, é muito curta...beijos

Wanderley Elian Lima disse...

Olá meu amigo
Não demore muito, você faz falta.
Um ótimo fim de semana para você
Beijão

Postar um comentário

Algumas dicas para comentaristas:

1. Use sempre o login da sua conta/ e-mail do Google ou Yahoo. Para os que não as tem, opinhem usando "Nome / URL"! É só digitar seu nome, assim todos saberão quem escreveu (inclusive eu!)

2.Se você possui um blog seu comentário será uma ferramenta de divulgação, pois representa o seu cartão de visita para os que não lhe conhecem. Pense nisso.

3.O espaço aqui é bem democrático, fique a vontade pra falar o que pensa e obrigado pela visita!

 

Copyright © - Contatos Imediatos - Todos os direitos reservados.
Template Minima de Douglas Bowman - Design por Linketal.com