domingo, 27 de setembro de 2009

Mitos e verdades na FESTA DA MENINA MORTA!


Depois de assistir ao primeiro filme - como diretor - de Matheus Nachtergaele, "A festa da menina morta", saí da sala de cinema com duas certezas: que o poder da fé humana nasce primeiramente do inconsciente coletivo - capaz de criar  qualquer realidade - e que Daniel de Oliveira é definitivente um dos melhores atores do Brasil! Dá show de interpretação num papel denso e nada fácil!


Não se trata de nenhuma super produção, tão pouco  eu poderia classificar como imperdível, mas acredito que enquanto expectador, consegui me aproximar da mensagem principal da película e isso é sinal que ela cumpre bem o seu papel (embora arte seja algo extremamente subjetivo, permitindo múltiplas interpretações!)


Se eu tivesse que resumir rapidamente a estória, destacaria: que ela se passa num simples povoado ribeirinho do Alto Amazonas, onde um jovem torna-se guru espiritual da sua comunidade por ser considerado santo! Entre seus méritos, está a potencial comunicação mediúnica - pode-se dizer assim - entre "Santinho" e o espírito de uma criança desaparecida entre os igarapés da região e o fato de ter realizado um milagre: teria ressucitado a própria mãe! Os moradores, convictos de tais poderes e ávidos por algo que lhes garanta um sentido maior para viver, cuidam de proteger as tradições e imortalizar seus ritos a qualquer custo(exatamente como acontece em inúmeros recantos desse país).


Apesar do caráter muitas vezes perturbador do filme, a verdade é que a crença religiosa torna-se um bálsamo para aqueles que acreditam na "menina"... o que dá direção a vida de pessoas que caminham sem uma perspectiva definida e é justamente aí que a fé torna-se perigosa, pois quando o controle da situação passa para mãos erradas, pode trair o mais forte e transformador dos sentimentos humanos.


O grande problema na festa de 20 anos da "menina morta" é um só: a inescrupulosa imperfeição humana, misturando o sagrado e o profano sem culpas!


Esteja o fiel num Templo da "Igreja Universal" ou num povoado remoto qualquer do planeta, este sempre estará buscando algo que lhe justifique a existência e que lhe proporcione acalanto nos momentos de dor! Porém, em qualquer dos lugares também, correrão riscos, podendo se deparar com as armadilhas intrínsecas no âmago do fanatismo cego e descabido...


Enquanto os olhos desatentos, ocupados em justificarem sua ideologia a qualquer custo, não estiverem captando - más -intenções, o coração imperfeito e a mente ardilosa continuarão patrocinando as inverdades mais convincentes do mundo!


Um filme forte, cheio de densas nuances, belas fotografias, interpretações convincentes, sentimentos conflitantes, verdades contraditórias, mentiras, escassez e exageros, assim como a realidade da fé brasileira.


Se já assistiu, fique a vontade e dê a sua opinião, por favor!


Apolinário Júnior.


Ficha Técnica:

Título: "A festa da menina morta", 2008.
Estrelando: Daniel de Oliveira, Dira Paes, Cássia Kiss, Paulo José, Jackson Antunes, Juliano Cazarré.
Dirigido por: Matheus Nachtergaele.
Produzido por: Vânia Catani.
Roteiro: Matheus Nachtergaele, Hilton Lacerda.
Fotografia: Lula Carvalho.
Música: Fátima Santágata.
Trailler do filme: http://www.youtube.com/watch?v=C3HDH41-bsc

5 comentários:

Dalva disse...

Fico contente com o rumo que o cinema nacional vem tomando, pois a diversidade de produções só enriquece a cultura deste país, que anda tão carente. Perfeita a sua exposição sobre o filme, o que nos deixa com uma grande vontade de assistí-lo.

Uma semana de paz!

Bjs.

CRISTIANE disse...

Só lamento que ainda exista tanto preconceito em relação as produções nacionais... até pra assistir certos títulos no circuito oficial de cinema é bem difícil!!!

Ainda bem que temos outros caminhos pra chegar até eles, né?

Adorei o texto,
Cris.

Josianne disse...

Oi Ju, seus textos são tão bons que dar uma vontade danada de assistir ao filme.
Pois é, religião cada dia que passa se torna um assunto cada vez mais "polêmico", são tantas regras (que homem criou) tanta ilusões, pontos de vistas que forçam simplesmente toda uma humanidade seguir, cada um querendo falar melhor de Deus e por aí vai...
Eu prefiro continuar vendo Deus do meu jeito, com a minha crença, fé e religião, encontramos Deus na força do pensamento, nas nossas atitudes... já que Deus não nos dar o peixe e sim a vara de pescar... acredito que tudo a nossa volta são testes, desejos e ajudas que Deus nos dar,mas cabe a nós dar um passo a frente ou não!
O mundo ja anda tão complicado, tantas coisas para serem resolvidas, vamos deixar que cada um veja Deus e seus milagres cada um do seu jeito...
E será que ele vai voltar como dizem? Acho que ele volta todos dias no nascer do sol, pena que nem todo mundo pára pra dar boas vindas a ele.
Beijos Jú, te adoro!

Cláudia disse...

Eitchaaa....tou querendo assisti, acho q vou amanhã.....deu mais vontade agora!!!
beijãoo e sempre sempre PARABÉNS pelos textos!!!!
Madrinha

NANDITA CAYMMI disse...

eu ainda nao assisti e confesso que nao sei se irei. Tomei uma agonia do título e olha que eu sou fã de filme nmacional. mas.. sei lá...
um dia quem sabe. hahahahahahaha! Como vc fez uma boa descrição.. pode ser q eu cogite.. hauahauhauhauah
bjinhos

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