segunda-feira, 22 de junho de 2009

Notícias do fim de semana: “Viva Antônio... cadê São João e São Pedro?”

De volta, ás vésperas do São João mais desanimado de que tenho lembrança...

Esse fim de semana dediquei algumas horas do meu tempo para lamentar esse fato! Cadê a festa junina mais tradicional do Brasil, hein? Alguém viu? Respondam-me se forem capazes, alagoanos!

Destaco que não estou me referindo tão somente a “festa”, digo, “festa por festa”, pois, como todo mundo deve saber, o nordestino é um povo “quente” por natureza, referência em alegria (taí os vizinhos baianos, pernambucanos, sergipanos e paraibanos que não me deixam exagerar) e esse sentimento realmente é algo nato. Estou me referindo as tradições propriamente ditas, aquela realidade quase poética e imortalizada no inconsciente coletivo que até pouco tempo sobrevivia nos bairros da maioria dos municípios do nordeste!

Não me considero um saudosista. Procuro entender perfeitamente a mudança e evolução dos tempos, que apesar de cruel em certos aspectos é absolutamente necessária. Contudo, pra quem viveu a beleza das noites de São João em sua plenitude, não tem como não lamentar a ausência do verdadeiro espírito junino por essas bandas... pelo menos nas capitais...

Quando era criança – a mais ou menos 25 anos atrás... tô adorando essa minha fase de contabilizar o tempo através dos anos vividos – interagi ativamente com uma época muito rica culturalmente nesse sentido e me orgulho por isso. Lembro como se fosse hoje das ruas enfeitadas com bandeirolas coloridas, organizando-se para construção de “palhoções” que eram palco, entre outras coisas, das apresentações das quadrilhas juninas formadas pelos próprios moradores... nas redondezas da Rua Pedro Américo, onde nasci e me criei, existiram várias... numa só noite era possível percorrer vários. Inclusive, foi nesses palhoções que aprendi muitas das músicas de Luiz Gonzaga e de tantos outros grandes mestres... lembro bem do “Rei do Baião” dividindo os vocais com Gal Costa cantando “Tem pouca diferença” ... acho o pout-pourri - faixa 08 do cd “Profana”, de Gal - maravilhoso, me traz ótimas lembranças... como diz Maria Bethânia, “música é perfume”, nos toma automaticamente como uma agradável fragrância!

Foi dentro daquele contexto também que ensaiei os primeiros passos de forró – e da quadrilha junina, ainda tradicional, com o “alavantú”, “anarriê”, “caminho da roça”-... soltei muitos fogos, vi os efeitos da farra do “pau de sebo” entre a molecada, recebi minha primeira autorização pra chegar em casa as 22 horas, que dei meu primeiro e inocente beijo na boca... lembro até das várias dores de barriga por ter exagerado na canjica, mungunzá, milho assado, aliás, uma das imagens mais comoventes de que tenho lembrança é a de estar ao redor das fogueiras, já convertidas em brasas, com minha mãe e minhas irmãs – muita vezes a caráter – assando nossas espigas de milho verde após descascá-los no quintal de casa! Veja você, até da imagem das irritantes e incômodas fogueiras que, obrigatoriamente, alegravam as calçadas de nove entre dez casas do bairro, hoje eu consigo sentir falta.

Atualmente nada é sequer parecido. O São João na minha capital mudou. Tudo é muito diferente da festa ingênua que tive o privilégio de conhecer (e o problema talvez não esteja nas naturais diferenças, mas nas muitas diferenças). Resumiu-se a uma programação de shows de bandas de forró estilizado e só... pra mim, isso não é festa junina, isso é show de forró, ponto! Daí, o resultado disso é chegar a antevéspera da festa principal e não se dar conta disso naturalmente... quando se percebe, já passou mais um mês junino! Soube que a prefeitura incentiva a apresentação de quadrilhas através de concursos e isso, inegavelmente, é alguma coisa, mas está longe de ser tudo que deveria representar culturamente!


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Aproveitando o assunto e pra não perder o costume, cito o filme de Andrucha Waddington e Gilberto Gil: “Viva São João”, com participação especial de gente que entende do “riscado”: Marinês, Dominguinhos, Alceu Valença, Sivuca, Elba Ramalho, Margareth Menezes etc. Durante a turnê do Gil em 2001 pelo nordeste na época do São João, um documentário foi gravado, captando várias nuances da festa e destacando a sua importância para a cultura do país... consequentemente, essa realidade ajuda a ilustrar um pouco a conversa de hoje. Destaque para linda fotografia e para o transe emocionado e quase mediúnico de Gilberto Gil no fim do filme!

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E falando também em Antônio, gostaria de registrar meu carinho e minhas felicitações pelo aniversário do meu estimado cunhado Antônio Calazans! Sábado eu tive o privilégio de lhe dar um abraço e saborear da sua feijoada maravilhosa – sem medo de errar: a melhor que já provei! São pra ele hoje os meus sinceros votos de felicidade pelo cidadão responsável e pelo seu coração de menino, uma marcante característica... Parabéns, querido!


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Além das reflexões corriqueiras, dividi meu tempo também com a leitura (me encontro completamente envolvido com o livro “O Mago”, a biografia do escritor Paulo Coelho, que apesar de estar no terceiro capítulo, já estou completamente familiarizado com a linguagem do autor) e com um passeio produtivo pela web, onde visitei blog de amigos e personalidades. Naturalmente dei de cara com uma ótima descoberta, que inclusive recomendo pra você agora: http://www.mpbrunoblog.blogspot.com/. Na realidade não conheço o idealizador, achei o endereço de uma forma completamente casual, mas me identifiquei imediatamente com a proposta musical do espaço... considerei excelente o bom gosto das seleções que são disponibilizadas, todas acompanhadas de “releases” interessantes, criatividade e muitas novidades. A iniciativa do compartilhamento é muito louvável... não perdi tempo, baixei um monte de coisas realmente legais! Visite também.


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Na Tv, dei uma zapiada geral que foi desde o fiasco “A fazenda”, da Rede Record, até a excelente entrevista que o pop star, Pe. Fábio de Mello, deu para Marília Gabriela, no GNT! Putz, acho que, certamente foi uma das melhores entrevistas da apresentadora esse ano! Apesar de ser meio desconfiado com tanta exposição por parte desses novos “Padres artistas”, me impressionei com a leveza e serenidade do religioso em questão, até nos assuntos mais polêmicos como a abstinência sexual e a homossexualidade... se saiu elegantemente bem de todas as investidas da experiente Gabi-Gabriela! Se já estiver no youtube, recomendo o programa!
Termino o post de hoje “plagiando” o plágio do Pe. Fábio, repetindo uma frase de Adélia Prado (salvo engano) que ele usou para encerrar sua participação no programa: “Não tenho tempo algum porque ser feliz me consome”. Linda, não?

Preciso dizer mais? Preciso, mas só amanhã!

Boas energias para iniciar a sua semana! Dias produtivos para todos nós!!!
Beijos,
Jr.

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela maneira como expões cada assunto. Sem cansar o leitor, sempre com uma postura madura, frases corretamente empregadas e muito bom gosto na escolha dos temas.
Júnior, tão bom recordar os velhos tempos em que as tradições eram preservadas...dá uma saudade daquela época!!!
Entrevista Pe. Fábio a Marília Gabriela, já está sim no youtube e vou deixando um beijinho e desejos de uma excelente semana pq agora irei acessar o youtube para assisit a entrevista!!
Dinha!!!

Wanessa Vila Nova disse...

ADOREI A FRASE, IDENTIFICAÇÃO TOTAL JÁ PLAGIEI TBM!!! kkkkk... bjos

Guilherme Ramos disse...

Enfim...
Marcando presença aqui tmb.
(Rsssss...)
Vc é TDB, menino!
Abração!

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