sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NOVOS E BELOS HORIZONTES


Ler e viajar! Depois da cirurgia plástica do Ivo Pitangui, poucas coisas na vida de um ser humano conseguem ser tão transformadoras. Concordam comigo? Muito provavelmente sim, porque, brincadeiras à parte, essas são  poderosas atitudes, verdadeiros   investimentos intelectuais  e taí um exemplo de investimento que possui retorno garantido. Tudo que nos impulsiona a mudanças, inevitavelmente nos impele ao  crescimento e acaba gerando a  libertação de que todos nós precisamos.

Ler é provocar em nós um efeito irreversível. E as ferramentas para tal recebemos de presente de pessoas bem especiais, sim, por que quem nos liberta nesse sentido são nossos pais, que nos ajudam a ligar consoantes e vogais e dali por diante ninguém nos segura mais... é um dos presentes mais bonitos que recebemos deles... claro, a escola ajuda muito nesse sentido, é a base, mas a coisa só faz mais sentido quando se mistura ao carinho e ao amor das duas pessoas mais importantes do mundo na vida de uma criança! Ainda lembram da velha caligrafia?rs... 


Viajar é oposto desse aconchego familiar tão importante para nossa formação, simboliza partida e tudo que nos impulsiona a sair do ninho pode trazer consigo fortes resistencias de quem nos ama... Mas ainda assim podemos concluir que a viagem e a leitura nos levam na mesma direção. A diferença entre o livro e o avião é que, uma vez in loco, podemos (re)construir uma história, só que dessa vez  usando os próprios pés e  nos tornando o personagem principal. E como é bom poder sê-lo! Que privilégio é conseguir ser o personagem principal no seu sonho de ser de verdade! Reflitam!

...

Estou falando tudo isso porque, acabo de escrever um novo capítulo da minha vida! E o cenário para ele foram as cidades de Belo Horizonte e Ouro Preto, onde estive entre os dias 11 e 16 de novembro. Finalmente tive o privilégio de pisar, pela primeira vez, em solo mineiro,  conhecer a cidade do pão de queijo, das montanhas mais verdes e convidativas que já admirei, em um dos pólos culturais mais importantes do Brasil... salve, Belo Horizonte! Volto aqui, depois de tanto tempo, justamente pra compartilhar com vocês algumas imagens que falam por si e que espero que expressem minha satisfação. Viagem comigo agora, sim?

















  Dedico o post de hoje a uma grande amiga mineira, Lilian Souza e ao blogueiro querido Wanderley Elian, que se inspira diariamente com as belezas da terrinha, certo? Um forte abraço aos dois e parabéns pelo lindo estado. 

No mais, apareço novamente qualquer hora dessas pra falar de Ouro Preto,ok? Prometo.
Grato pela visita!
Jr Vilanova.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

VIDA QUE SEGUE...


...blogueiro que volta! Tudo bem com todo mundo? Comigo tudo na paz! Começo, como sempre, agradecendo os últimos comentários, as últimas visitas... valeu mais uma vez! Quero deixar um beijão pra Lis, a 'Flor de Lis', e Daval, que andavam sumidas, mas que na última semana passaram por aqui e deixaram lindos recados. Dizer que suas presenças no Contatos  são sempre bem-vindas! Aos demais também... beijos agradecidos! Vamos aos assuntos da semana? Vumbora...

Perpetuando as antigas novidades...


O primeiro assunto é muito mais do que simples dicas de leitura e música. Na realidade quero propor, digamos, uma mudança de comportamento. Em outras oportunidades eu já sinalizei aqui o meu apreço  aos "sebos", lembram? Pois é, hoje eu quero reforçar isso! As visitas  que faço  a esses  "recantos culturais"  me trazem  sempre ótimas aquisições  e aproveito para formatar minhas indicações semanais a partir do acervo  observado nesses lugares, que acham? Os sebos - ou alfarrábios - possuem muita coisa boa  pra oferecer e só descobre isso quem já se deu ao luxo de experimentar. Passo horas mergulhado naqueles títulos maravilhosos e o legal é que atualmente eles estão até informatizados... você chega, diz o título que procura e em menos de dois minutos tem a sua resposta! Sem falar no preço, muito mais acessível. Abro aqui a camapanha: visite um sêbo, leve pra casa uma pérola valiosa!

Começo  indicando  o livro: "Rachel de Queiroz, Coleção Melhores Crônicas",  uma publicação da Editora Guaudí, 2008, com textos selecionados por Heloísa Buarque de Holanda! Como sou fã de crônicas e admiro a história de Raquel de Queiroz, fiquei muito feliz com essa aquisição, ainda mais por encontrar o livro em excelente estado e ter pago por ele míseros  R$15,00 diante de sua grandiosidade! É tentador ou não é?  As crônicas  expostas são  maravilhosas, baseiam-se  nas lembranças, opiniões, afetos e até nas indignações dessa mulher forte, jornalista competente, que não por acaso é considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Deixo essa dica de leitura pra vocês com muita satisfação.

Não posso deixar de falar em música aqui no blog, porque o blog é de certa forma a tradução da minha vida cotidiana. Aproveito então  para citar  outro achado  magnífico:  o LP orinal "Claridade", de 1975, dando sopa no Alfarrábio do Sr. Nivaldo, na rua Barão de Atalaia, aqui em Maceió! Sim amigos, estamos falando de Clara Nunes, e mais, de um dos mais bem sucedidos trabalhos da sambista... lá estão clássicos da MPB  como "O mar serenou", "A deusa dos orixás" e "Juizo Final", de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares, todas em suas versões originais! Com esse, já são 05 vinis da artista que encontro em  sebos, em toutras oportunidades, pude redescobrir a arte de Clara através dos trabalhos: "Esperança", "Brasil Mestiço", "Nação" e "Clara Nunes", de 1974.

Além das fotos lindíssimas, o encarte do disco traz um belo texto da época,  escrito por Artur da Távola para extinta Revista "Amiga". Entre suas observações ele destaca: "Clara, Clareira, Claridade. Manhã luz, Clareza. Clara (...)Por volta de 1968/69 não existia ninguém cantando samba, nem acreditando nele. As serestas morriam. O choro agonizava (...) Samba era quase proibido. Você o preferiu...". Assim ele nos ajuda a entender um pouco mais sobre a história da nossa música, do samba, o nosso presente e eterno passado musical! Tudo lindo. Ah, quanto custou essa relíquia? R$ 5,00!


Mais uma semana! Como se diz por aí: "fica a dica"... ou as dicas!
Sorte pra nós, força pra seguir em frente e escolher o melhor caminho!
Beijos.
Jr Vilanova.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

ALÔ, CRIANÇAS...


De volta mais uma vez. Mais vivo que nunca, aproveito hoje a paz do feriado de "finados" para afinar a comunicação com o mundo virtual! Tô meio atrasado, é bem verdade, mas nada que não possamos consertar com mais alguns parágrafos! Vamos a eles...

Momento histórico...


Estamos de presidente novo, quer dizer, presidenta! Sinal claro da mudança dos tempos se lembrarmos que até 1930 mulher não podia sequer votar, não é verdade? Quem diria! Fico muito contente quando observo na humanidade algum sinal de avanço, de progresso, mesmo que involuntário, inconsciente. Ei, mas por favor, não confundam as coisas... não estou afirmando que a escolha foi certa, nem errada, apenas estou chamando atenção para um fato histórico que ajuda a enfraquecer certos preconceitos que ainda teimam em resistir. De todo modo, sou brasileiro, torço pelo Brasil e espero que Dilma Rousseff consiga dar a esse país tudo o que ele merece e que por tanto tempo lhe foi negado!

Malandro como antigamente...

Samba do bom e muita irreverência. Marcelo D2 acaba de lançar um cd em homenagem a Bezerra da Silva (já dá pra imaginar o que vem por aí, sim?). Tudo a ver. Achei a iniciativa maravilhosa, principalmente por Bezerra da Silva fazer parte das minhas melhores lembranças... digo, sabe aqueles domingos sagrados na casa da vovó? Com manhãs ensolaradas, comidinha diferente, muita gente na casa e os clássicos de Clara, Bezerra, Martinho e companhia rolando na radiola o dia inteiro? Reconhece? Pois é, o bom humor desse legítimo malandro me traz muitas recordações legais e esse disco me ajudou a reviver essa época. Voltando ao assunto do cd, entre as 14 faixas é possível escutar novamente sucessos inesquecíveis como: "Na aba", "Malandragem dá um tempo", "Se não fosse o samba" e a impagável "Pega eu", a minha preferida! Se você é chegado (a) numa batucada, numa tarde alegre de domingo, o disco do polêmico D2 pode fazer toda diferença! O disco foi lançado pela EMI e custa em média R$ 19,90, um preço justo em tempos de pirataria compulsiva. Eu recomendo.

Fazendo escola...

Continuando com o assunto irreverência, indico pra vocês que se interessam em  descobrir mais sobre os caminhos da arte no nosso país, o filme-documentário "DIZ CROQUETES", 2009, dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez com o apoio, entre outros, do Canal Brasil. Alguém  por acaso  possui alguma remota lembrança de um grupo de atores que em plena ditadura militar ousava se apresentar vestido de mulher, com os corpos seminús e esbanjando inteligência e criatividade?  Pra mim eles também representavam interrogação até eu assistir esse filme, que, brilhantemente,  conta essa história que poderia se perder no tempo! Os inúmeros depoimentos ficam por conta de personalidades como: Jorge Fernando, Miguel Falabella, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Pedro Cardoso, Marília Pêra, Beth Faria, Cláudia Raia, Mielle, Laisa Milnelle, Maria Zilda, várias ex-Frenéticas e até de alguns ex-DZI CROQUETES, que representaram uma forte influência para grandes personalidades da atualidade.




 "Figurinos ousados, maquiagem pesada e o contraste dos corpos masculinos em trajes femininos imprimem ao espetáculo tons de grotesco, de deboche e espírito ferino. Um árduo trabalho de interpretação e de dança é empreendido pelo bailarino Lennie Dale, para transformar o grupo numa trupe artística, elogiada pela crítica".


Bem, isso é tudo. Ofereço as dicas de hoje especialmente aos amigos que sempre passam por aqui para "dar uma espiadinha", em especial aos queridos que registraram suas opiniões no último post! Cês são maravilhosos, eu é que ando vacilando, abraçando o mundo com as pernas e me desiquilibrando com tantos compromissos... mas vamos em frente, mas "vamos que vamos que dá"...

Beijos.
Jr Vilanova.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DA JANELA DOS MEUS SONHOS...


"Tem alguém aí"?!? Quem ainda pode me ouvir? Preciso saber.



Como dizia Gonzaguinha: "vontade de chegar e olha eu chegando"! Saudades de todos! Saudades do tempo em que passava horas e horas de frente para essa mesma tela, divagando em pensamentos, passeando por assuntos tais que  faziam de mim um ser melhor... pensar e existir, esse é o caminho!

Mas a vida é feita de etapas. São fases, únicas, que nos surpreendem por sua capacidade de transformação... efeitos quase que irreversíveis... inevitável resistir... maktub! Sabem aquele ditado que fala que a sorte é um trem que pode passar a qualquer momento, em qualquer lugar e só pegam carona nesse expresso da felicidade os que estiverem prontos para viagem? Pois é, consegui um lugar na janela e no primeiro vagão! Nada mal, hein! Estou com o rosto de fora, olhar fixo na paisagem, experimentando cheiros e sabores... por isso demoro tanto a voltar e espero a estação certa para descer... até lá curto a viagem e preparo o inevitável regresso, a única certeza que tenho hoje.

...

Bem, mas meu objetivo hoje não é só o de filosofar, vim pra dividir com vocês algumas novas descobertas com todos, como geraslmente acontece aqui no blog... vamos a elas?

Mais um vôo da borboleta da Mata...


Começo com música, que tal? Com a música de Vanessa da Mata. Inclusive tomei um baita susto quando achei na prateleira da loja  "bicicleta, bolos e outras alegrias", o novo cd da cantora mato-grossense! Se bem que já não era sem tempo dela nos presentear com novidades, afinal, estamos na expectativa de novidades desde 2007, quando lançou o último trabalho de estúdio. Já falei que sou profundo admirador da poesia brejeira de "da Mata"? Pra mim, muito além que uma intérprete razoável, Vanessa é uma poetiza de sensibilidade ímpar. Sabe como ninguém tocar um coração sensível, fala de amor como poucas, além de ser muito bem-humorada... taí, eis a minha primeira impressão sobre seu novo trabalho: um cd irreverente que fala de amor na medida certa! A produção é de Kassin, repetindo a parceria que deu super certo em "SIM" e os arranjos seguem o mesmo estilo impresso em seu último cd.


Para o governo dos raros amantes do cd, informo que o material gráfico está lindo, vale a pena investir. As fotos são de Geraldo Pestalozzi e o preço está bem justo: R$ 19,90 em média (Lojas Americanas). Traz 12 faixas ao todo, todas assinadas pela cantora, duas delas em parceria: "Vá", com Lokua Kanza e "Quando amanhecer" com Gilberto Gil, que faz o dueto com ela na canção. Acredito que "O tal casal" deva representar a aposta da gravadora para primeiro single, devido a seu potencial radiofônico. Toda melosa, a balada fala de paixões de uma forma encantadora. "Meu aniversário", assim como aconteceu com o hit  "Seu aniversário", de Lulu Santos no cd "Longplay" (2007), promete animar muitas festinhas descoladas, mesmo sem representar necessariamente uma grande novidade. "Fiu fiu" e "Bolsa de grife" são alguns dos exemplos de que o lado cômico de Vanessa continua com tudo, muito bem humoradas! Ah, pra quem não vê a hora de mergulhar numa velha e boa canção apaixonada "a la Vanessa da Mata", o cd traz a faixa "Te amo". Taí um presentão prum amigo oculto de bom gosto.

Pelo estômago...


Esse fim de semana assisti ao premiado filme brasileiro "Estômago", de Marcos Jorge! Cês já ouviram falar ou já assistiram? Recomendo para os que curtem a arte impressa pelo cinema nacional (mesmo com suas conhecidas limitações). Caramba, muito doido o negócio, mas adorei! O filme estrelado pelo ator João Miguel, promove uma reflexão sobre  os alimentos e o poder! Sim, isso mesmo, a comida e aquilo que ela representa dentro das nossas relações cotidianas,  mas de uma forma completamente inusitada. A figura principal do filme é o retirante nordestino Raimundo Nonato, um que possui um dote culinário invejável, descoberto a partir de suas necessidades de sobrevivência numa cidade grande! Daí em diante, sua capacidade de absorver ensinamentos e transformá-los em benefícios passa a tecer toda trama do filme, que horas é extremamente engraçado e inteligente, outras traça retratos de uma violência tipicamente urbana, cada vez mais comuns em nosso mundo! Produzido pela Zencrane Filmes e pela Indiana Production, ESTÔMAGO tem distribuição da Downtown Filmes.
Ficaram curiosos? Mas não vou falar mais não, recomendo que assistam. Deixo o trailler oficial do filme para quem sabe encorajá-los:


Me mandem notícias do mundo de lá, ok?
Voltarei... porque preciso!
Jr Vilanova.

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sábado, 23 de outubro de 2010

"O céu cinco minutos antes da tempestade"

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é." - "Um dia de chuva": Fernando Pessoa.


"Chuva, caindo tão mansa, Na paisagem do momento, Trazes mais esta lembrança De profundo isolamento." - "Chuva": Francisco Bugalho.



"Onde é que chove, que eu o ouço? Onde é que é triste, ó claro céu? Eu quero sorrir-te, e não posso, Ó céu azul, chamar-te meu..." - "Chove ? Nenhuma Chuva Cai...": Fernando Pessoa.


"O dia deu em chuvoso. A manhã, contudo, esteve bastante azul. O dia deu em chuvoso. Desde manhã eu estava um pouco triste..." - "O dia deu em chuvoso": Álvaro de Campos.


"Os céus da tua face, e os derradeiros Tons do poente segredam nas arcadas..." - "Chove ? Nenhuma Chuva Cai...": Fernando Pessoa.


"...não paira vento, não há céu que eu sinta. Chove longínqua e indistintamente, Como uma coisa certa que nos minta, Como um grande desejo que nos mente. Chove. Nada em mim sente..." - "Chove. Há silêncio": Fernando Pessoa.

"...hoje quero só sossego. Até amaria o lar, desde que o não tivesse. Chego a ter sono de vontade de ter sossego. Não exageremos! Tenho efetivamente sono, sem explicação. O dia deu em chuvoso." - "O dia deu em chuvoso": Álvaro de Campos.






Fotos: Apolinário Júnior.
Local: Riacho Doce, Maceió-AL.
Fonte dos poemas: http://www.citador.pt/poemas.php?poemas=Chuva&op=9&theme=659
Click nas fotos para ampliá-las!

BOM FIM DE SEMANA A TODOS!
DIAS FELIZES PRA GENTE... COM SOL OU COM CHUVA!

Luz!
Jr.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

"APENAS UMA HIPÓTESE"


"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...]
A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso.
Um rosário de piscados.
Cada pisco é um dia.
Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre?, perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

Outras palavras...

No mês das crianças, nada mais oportuno que relembrar Monteiro Lobato nas 'quartas da poesia'! Focar o lúdico, experimentar outra vez um sabor de ingenuidade que infelizmente não se encontra mais por aí... precisa procurar muito, buscar no improvável a imagem daquela  infância livre, naturalmente protegida, mesmo sem os muros que nos cercam hoje, sem cercas elétricas que matam os passarinhos, sem as balas perdidas que abatem anjinhos...  

Feliz dia das crianças a todos.
Beijos.
Jr Vilanova.

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

EU PRECISO...

Blogar é preciso... de blogar EU preciso!

Que saudade de vocês, viu... e mais,que satisfação em perceber que mesmo distante da rotina normal de postagens, amigos continuam a me prestigiar, não me abandonaram!  Então começo deixando um beijo hiper-carinhoso aos queridos Wanderley, Lis, Dalva, Sandro Omena, Chica, Carol Sakurá, Uelton, Junnior, enfim, gente muito boa que vez por outra aparece por aqui: MUITO OBRIGADO! É por essas e algumas outras que sempre volto... e apareço, sim, porque também não aguento mais de saudades e vou aparecer!!!

Um "SALVE" carinhoso também para aqueles que estão chegando, bem-vindos! Tenho acompanhado a chegada de cada novo seguidor e a alguns, já andei fazendo "visitainhas de médico" a alguns, retribuindo a gentileza, mas prometo interagir melhor em breve!

Para quem ainda não sabe o motivo do meu sumiço, esclareço que foram os recentes compromissos e desafios profissionais me tiraram um pouco de cena! Mas vai passar. Hoje estou por aqui, cumprindo a minha missão de - quase - toda segunda-feira, cheguei com umas dicas legais pra compartilhar nas "notícias de fim de semana"... vamos a elas?

Saindo do forno...
Depois do bem sucedido e elogiado cd "Na veia", Simone volta a cena com o DVD "Simone, em boa companhia", dirigido por José Possi Neto. Na realidade, esse é o registro do show que percorreu o país e foi gravado na cidade de Recife, em abril, no Teatro Guararapes lotado co um público "nordestinamente" caloroso.
Não preciso dizer muito mais... o resultado é exatamente esse que vocês estão imaginando agora! Quem se  mostra ao público pernambucano e posteriormente  a  todo Brasil é a "boa e velha" cigarra, no seu melhor estilo. Ops, deixo claro que essa é apenas uma expressão usual, pois "velha" é um termo que não combina em nada com a vitalidade e beleza que Simone esbanja em cena. Sem falar na sensualidade! Muita sensualidade, do figurino (transparente)  ao repertório. No setlist, clássicos como: "Tô que tô", "Face a Face", "Fullgás", "Ive Brussel", "Deixa eu te amar", "Ex-amor", "Hóstia" e até apostas nada óbvias que soam como novidades em sua voz, como é o  caso de "Perigosa" (aquela mesmo que você tá pensando, de Rita Lee), "Paixão"(dos gaúchos Kleiton e Kleidir) e "Chuva, suor e cerveja", de Caetano Veloso. 


Se ainda assim tivesse que fazer uma crítica qualquer, apontaria para o palco. Estou falando do cenário, muito econômico e distante dos músicos. Sabe quando parece faltar algo? Bonito, mas muito "econômico". A priori, "Em boa companhia" se confunde com outros registros da artista, como o DVD "Simone ao vivo" (EMI, 2005), por exemplo. No mais, quer companhia melhor? Além do dvd, a Biscoito Fino lançou também o cd duplo, similar ao formato de "Maricotinha ao vivo", de Bethânia. Confiram.

Chico pra ler...

Confesso que ainda não li, mas achei a idéia fantástica, acho pouco provável que me decepcione! Vejam só que sacada fantástica a do projeto encabeçado pelo jornalista Ronaldo Bressane: uma seleção de dez contos inspirados em dez canções da sumidade Chico Buarque de Holanda! O livro saiu pela "Companhia das letras", com o apoio da Caixa Econômica Federal e entre os autores estão: Alan Pauls, André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Luis Fernando Verissimo, Mario Bellatin, Mia Couto, Rodrigo Fresán e Xico Sá. Algumas das canções escolhidas são: “Feijoada completa”, "Construção" e "Folhetim". Muito legal, não? Se estiver precisando de uma boa dica de leitura, taí, não precisa procurar mais...

Satisfeito e feliz, me despeço por hoje! Espero ter me redimido de alguma forma apos longas semanas de ausências...

Deixo pra vocês o meu beijo carinhoso com gosto de saudade!
E hoje, mais que nunca, "vamo que vamo que dá"...

Jr Vilanova.

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sábado, 2 de outubro de 2010

A HISTÓRIA DE UM "MICO"


Hoje estou verdadeiramente desapontado com o ser humano. Motivo? A história de um mico!

Tudo começou quando vim morar nesse bairro afastado. Pacato, beira de mar, resquícios de mata atlântica enfeitando as redondezas... Pra mim, um verdadeiro paraíso em meio a agitação da nervosa capital! Todavia, como tal, possui o mesmo problema de todos os outros paraísos: homens por perto tentando estragar tudo - pelo menos tudo que estiver ao alcance de seus interesses mais egoístas!


Caseiro e discreto, não sou de muitos amigos quando chego num lugar. De início, prefiro relações respeitosas, porém formais. Proteger minha intimidade é algo inerente a minha vontade. Evito a porta aberta e tudo que possa ultrapassar a barreira do tolerável com novos vizinhos. Porém, um deles em especial, confesso, me conquistou mesmo sendo indiscreto e invasivo! Primeiro, apareceu na janela, desconfiado, olhando tudo do lado de dentro, como se fizesse um reconhecimento, geral e indiscreto, para assim decidir se aprovaria ou não o novo morador - nesse caso, eu! Uma ousadia sem precedentes. Foi assim nos dias que se seguiram após a minha chegada e logo começou a armar pouso toda manhã do lado da minha janela, ignorando inclusive o fato de ter alguém dormindo ali embaixo... Conversava em voz alta sem maiores constrangimentos... E eu? Mesmo com todos os direitos do mundo de esbravejar, estranhava o desaforo, mas curiosamente não me importava nem um pouco!


Numa dessas manhãs primaveris, escolheu a sombra do coqueiral ao lado pra discutir relação com a suposta namorada... Pois é, outra pessoa no meu lugar, repito, talvez não suportasse aquilo, dois já era demais. Ainda mais por que não se entendiam de jeito nenhum. Era uma barulheira só, um empurra-empurra danado... Momentos de tensão. Então resolvi intervir! Sou da paz! Apesar dos pesares, sentia que se gostavam e sabe como é... Eu, ali, completamente envolvido com aquele clima da morada nova... Era minha primeira boa ação desde que chegara.


Não é de hoje que escuto a sábia frase: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”! Ainda cheguei a refletir sobre ela antes de tomar minha decisão... Mas, estávamos na primavera, os dias tão lindos, o sol ameno, tantas flores enfeitando a alameda... E além do mais, sou um geminiano sensível, ainda acredito no amor... Não contei história, peguei uma banana maçã perfumadíssima, amarelinha, me abaixei na janela e dei um assovio comprido, sugando o ar pra dentro da boca... Era mais ou menos assim que eles se comunicavam e eu queria chamar a atenção – só espero não ter dito nenhum palavrão na língua “macaquês”. Eles pararam imediatamente a discussão e procuraram de onde vinha o som apaziguador... Muito bonitinhos! Ao descobrirem, avistaram também a banana! Huuummm... Aí, depois da desconfiança inicial, foi aquela farra! Resolveram deixar o desentendimento de lado e tomar café da manhã juntos! E eu ali, abaixado, mas feliz da vida: Pôxa, eram eles os primeiros vizinhos que havia conquistado! Os primeiros que conheceram minha casa, enfim...


Dali em diante o casal me visitava frequentemente, começaram a simpatizar mais comigo, eu já não necessitava me esconder na hora de oferecer as bananas e com o tempo fui melhorando no meu “macaquês”! Por vezes traziam amigos, mas sempre respeitavam o meu espaço, coisa linda, todo mundo respeitando todo mundo, acho que pressentiam minha escolha. Passaram a ser meus vizinhos preferidos! Tanto que quando sumiram por um tempo relativamente longo, fiquei muito triste, achei uma falta de consideração aquilo... Será que meu sotaque ruim havia me traído? Teria eu dito algo deselegante ao ponto de se chatearem? Bem, desencanei... Mas as bananas permaneciam sempre lá, aguardando o retorno das visitas!


Nem bem "o outono" chegou e eis quem me aparecem novamente na mesma janela lateral, no mesmo coqueiro... Já não era sem tempo, já estava com saudades – mesmo! Ia começar tudo de novo, quer dizer, “ops”, algo estava estranho, digamos, diferente... Hum... Peraê... Putz, que gafe! Agora entendi tudo, aquela não era a namorada, era a esposa do meu amigo mico! E mais, trazia uma novidade colada ao corpo... Uma novidade que batizei de “miquinho”! A cara do pai! Os dois Já nem brigavam mais, ele estava super carinhoso, um pai de primeira, um companheiro exemplar! Aproveitei o ensejo e dei os parabéns a ele – em “macaquês”, obvio! Ele agradeceu, orgulhoso... “Pai coruja”, quer dizer, macaco!


Tudo ia muito bem até que outro bicho resolve aparecer nessa historia! O mais irracional de todos: O “bicho homem”. Acordei atordoado com uma barulheira infernal na rua, inclusive, um barulho num dialeto que eu conhecia bem... Saltei da cama, fui até a janela e me deparei com a cena mais triste desde que cheguei pra morar aqui no paraíso! Era meu amigo mico, lutando desesperado entre os fios da rua, para voltar a árvore de onde havia sido derrubado... Embaixo, o mais insensível dos animais, num ato extremamente irracional, atirava pedras pra cima, na tentativa de também derrubar o miquinho no chão! A mãe estava do outro lado da rua, em cima de um telhado, visivelmente transtornada, sem saber se ia ou se voltava... Mas firme no seu propósito de salvar a cria covardemente isolada dos pais naquela árvore... Era o início de uma tragédia familiar...


Gritei da janela: “Ei, amigo, que isso, vai matar o bicho?”... E o “filho de chocadeira”, já um pouco intimidado com a minha reação, respondeu: “Não, vou pegar pra criar”! Putz, pra criar? Como é que é? Criar? Que isso gente, o bicho tinha pai, tinha mãe e os cuidados que necessitava naquele momento! Com que direito aquele cidadão ia desfazer aquela família? Sem falar que se o animal realmente caísse de uma altura daquelas, ninguém mais poderia acabar de criá-lo... Morreria! Já para o atirador de pedras, ficou claro: melhor morto que livre!


Aquela cena era um enorme absurdo pra mim... Era a primeira vez que eu presenciava, em tempo real, a ação nociva do homem para com a natureza. Naquele momento pensei em tanta coisa além do desespero do meu amigo mico... Me veio a mente as manchetes do noticiário passado sobre o crescente desmatamento da Amazônia e de todas as outras florestas mundo á fora, da poluição dos rios e oceanos, da escassez da água potável num mundo que encontra-se em pleno desequilíbrio, das catástrofes, das espécies em extinção comprometendo a cadeia alimentar entre os bichos e entre nós, “humanos”... De certa forma, aquele infeliz, no auge de sua ignorância com todas aquelas pedras na mão, alheio ao sofrimento daqueles bichos, era também o responsável em potencial por todos aqueles problemas da humanidade! Certamente estava entre os mesmos – entre milhões – que por descuito ou por maldade não recolhem seu lixo na praia, que jogam porcarias pelas janelas dos ônibus, dos carros e entopem bueiros, que fazem fogueiras irresponsáveis em terrenos baldios, que jogam entulhos nas ruas e auxiliam na proliferação doenças, que lavam calçadas com mangueiras indiferentes a um futuro próximo de provações... Proliferam mosquitos em casa através da falta de compromisso com o coletivo, que não devolvem o que pegaram emprestado, dão maus exemplos aos filhos - deles e dos outros -, não dão lugar aos idosos nos coletivos, são patrocinadores da violência... Parece um exagero, mas não é. Existe uma reflexão íntima e uma mudança de hábitos que precisa ser colocada em prática logo, urgentemente, antes que não exista mais tempo de consertar o que está às avessas. É através de pequenas atitudes do dia a dia que conseguiremos evoluir como cidadãos, como seres humanos. Precisamos assumir comportamentos responsáveis com o planeta e com o nosso próximo também – seja ele um semelhante, planta ou bicho, não importa. Estamos tirando o lugar de muitas coisas por conta do nosso egoísmo e, sinceramente, não temos esse direito.


“Meu amigo mico” não merecia aquilo. Quando desci as escadas pra tentar argumentar com o cruel destruidor de famílias alheias, o pior já havia acontecido. Ao que tudo indicava, ele havia conseguido o que queria. Ia "criar" o “miquinho” dentro de uma gaiola ou amarrá-lo numa corrente para poder olhá-lo de vez em quando... até enjoar! E quando o bicho, ainda arisco, o morder, gritar, defecar em lugar errado, provavelmente apanhará, pra aprender quem manda em quem agora! E daqui a um tempo, quando a casa estiver cheirando insuportavelmente a fezes de “sagüi”, ele decida expulsá-lo, jogando em qualquer lugar para morrer por falta de experiência, pela ausência de ensinamentos de como manter-se vivo.


Os pais, coitados, desesperados, grunhiam um canto triste em frente a janela do primeiro andar. O pequeno e infeliz miquinho deveria está trancafiado lá dentro, não havia mais nada que eu pudesse fazer. Pensei em oferecer dinheiro para que soltasse o bicho, mas as portas e janelas fechadas não possibilitavam diálogo.


Os gritos dos pais prosseguiram por toda à tarde, insistentemente, inconformadamente, bravamente. Ao tempo que me entristecia, também me emocionava... Eles simplesmente não desistiam dos seus! Mais uma grande lição! Outros componentes do bando, solidários, iam se juntando ao coro, talvez na esperança de sensibilizar o outro “animal” que estava do lado de dentro da janela. O causador de todo aquele inconveniente. Em vão. Não havia mais nada o que fazer... O homem, mais uma vez, havia conseguido acabar com a paz do paraíso. A mim, restava apenas recuperar-me do trauma.


Sei não, mas acho que nunca mais haverá clima para as visitas do meu amigo... Provavelmente perdi os vizinhos mais legais que conheci até hoje!



Apolinário Júnior.


Esse post, escrevi em 2009  e hoje, ás vésperas das eleições, resolvi reposta-lo... Que em nossas reflexões para o 03 de outubro, o nosso entorno e o descaso atual com a nossa biodiversidade não fiquem de fora!

CUIDADO COM O MICO AMANHÃ, HEIN!

Beijos saudosos.
Jr Vilanova.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PRIMEIRO EU QUERO FALAR DE AMOR...




"Meu amor se esparrama na grama
Meu amor se esparrama na cama
Meu amor se espreguiça
Meu amor deita e rola no planeta".
Chacal.


Outra palavras...

Siga esse conselho: deite e role no planeta!

Beijos saudosos.
Jr Vilanova.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PREZADO CIDADÃO...




"Colabore com a Lei
Colabore com a Light
mantenha luz própria"

Chacal.

Outras palavras...

Chacal (Ricardo de Carvalho) nasceu no Rio de Janeiro, em 1951. Mais conhecido como músico e letrista — com parcerias célebres com Lulu Santos, 14 Bis, Blitz e outras bandas e compositores de sucesso —, Chacal é também, e sobretudo, um poeta criativo, original, irreverente. Surgiu com Muito Prazer , Ricardo (1971) e desde então colabora em antologias, revistas impressas e eletrônicas, em performances, como autor e editor de livros, cronista, guionista, o escambau.


LIVROS PUBLICADOS: 1971 (RJ) – Muito Prazer, Ricardo (Ed. do Autor); 1972 (RJ) – Preço da Passagem ( Ed. do Autor); 1975 (RJ) – América ( Ed. do Autor); 1977 (RJ) – Quampérius (Nuvem Cigana); 1979 (RJ) – Olhos Vermelhos (Ed. do Autor); 1979 (RJ) – Nariz Aniz (Ed. do Autor); 1979 (RJ) – Boca Roxa (Ed. do Autor); 1982 (RJ) – Tontas Coisas (Ed. Taurus); 1983 (SP) – Drops de Abril (Ed. Brasiliense); 1986 (SP) – Comício de Tudo (Ed. Brasiliense); 1994 (RJ) – Letra Elétrika (Ed. Diadorim); 1998 (RJ) – Posto Nove (Ed. Dumará/ Rioarte); 2002 (RJ) – A Vida é curta pra ser pequena (Ed.Frente); 2007 (SP) – Belvedere (Cosacnaify e 7 Letras)...



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terça-feira, 14 de setembro de 2010

"VIVER DO QUE CANTAR"



Não, não quero fazer inveja a nenhum amante da boa música, mas nesse momente vos escrevo ao som de "Ária", o novo trabalho do MESTRE Djavan! Já falei pra vocês que ele é o meu cantor favorito? Pois é, mesmo com um vasto gosto musical e admirando uma série de outros artistas brasileiros, a poesia, a voz e o talento musical desse - coincidentemente - alagoano me toca como poucas...


"Ária" não é só mais um lançamento na vasta carreira de Djavan, é simplesmente o primeiro trabalho que o cantor faz como intérprete! Autor de grandes pérolas da MPB, dessa vez dedicou-se apenas a elaboração dos arranjos, que aliás estão perfeitos... e por cantar, lógico! Continua cantando muito, cantando lindo, com a mesma vitalidade e segurança de sempre, só que agora reinventando-se, experimentando outros desafios e sabores!


E como todo bom e grande artista naturalmente não aceita cantar qualquer coisa, o repertório representou o maior dos desafios! Se a intenção era fazer bonito e soar original, não poderia pecar justamente nesse quesito.  Apostou então em nada menos que:   "Oração ao Tempo" (Caetano Veloso), "Disfarça e Chora"  (Cartola), "Palco" (Gilberto Gil ), "Valsa Brasileira" (Chico Buarque), Luz e Mistério (Beto Guedes e Caetano Veloso), "Brigas Nunca Mais" (Tom Jobim) etc. Aproveitou também para exercitar seu inglês e espanhol nas faixas "Fly me to the moon" (Bart Howard) e "La noche" (Enrique Heredia e Juan José Suarez), todas elas num formato acústico e muito requintado, características já conhecidas na arte de "Djavanear". Nessa empreitada, basicamente, apenas três músicos o acompanham: André Vasconcelos, Torcuato Mariano e Marcos Suzano.

Embora possua seu próprio selo, o Luanda Records, a responsável por colocar esse trabalho antológico nas prateleiras de todo Brasil, claro, foi a Biscoito Fino! E só pra variar, como já virou sua marca registrada, o material gráfico ficou belíssimo, coisa fina mesmo, que só pela foto da capa já dá pra ter uma noção, não? Charmoso, Djavan esbanja sua classe boêmia no lindo encarte. As imagens foram captadas  através da sensibilidade do fotógrafo Christian Gaul. A locação escolhida foi o Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ... chic demais! Mas vamos deixar que o próprio pai do projeto fale mais dele pra gente, que tal?


Acho que a palavra final é essa: "Chic"! Em todos os sentidos. "Ária" é um daqueles cd´s para se ouvir a qualquer hora, em qualquer lugar (mas não com qualquer companhia) e para estar entre as melhores aquisições de qualquer apaixonado pela música de bom gosto! Dúvida, é? Escuta aí então uma prévia:


Precisava dividir essa alegria com vocês!
Espero que também gostem do resultado.
Beijos.
Jr Vilanova.

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domingo, 12 de setembro de 2010

O mar da minha vida

"Percorria quilômetros de um mundo que não era o meu
Que não trazia liberdade nos dias que me oferecia
Onde as manhãs não tinham cores
Que ardia como fogo entre tantos dissabores


Mas a vida também é água
Como as ondas que nascem tontas
Sucessivas
Contínuas
Brandas ou destrutivas


Rasa era a vida que escolheram pra mim
E ainda assim
Não tinha começo, nem tinha fim
Nem perspectiva, nem direção
Como alguém que se perde em meio a toda aquela amplidão
Vivia num lugar
Onde a gente nunca cessa de nadar
E mesmo depois de cansar,
Ainda assim não conseguiu chegar


Mas hoje eu resolvi parar de dar braçadas
Esperar pra entender para que lado a maré quer me levar
Através das ondas que insistem em levemente me empurrar
Pra um lugar onde o tempo custe a passar!


E eu
Por tanto tempo desobediente
Entrego-me a leveza de ser
E de estar

Flutuando em silêncio
No verde desse mesmo mar
Que um dia, por um instante
Tentou me afogar!"

Apolinário Júnior
01/08/09.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

RECLAME


"Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo.
ótica olho vivo
agradece a preferência"

Chacal.

Outras palavras...
Conheci a poesia e o estilo do bacharel em Comunicação  Chacal através do poeminha encantador "Rápido e Rasteiro", publicado aqui no blog em agosto de 2009! Como nos últimos meses tenho escolhido um nome diferente da nossa literatura para homenagear, resolvi prestigiá-lo durante as quartas-feiras do mês de setembro, que tal? Desse forma vamos descobrindo mais coisas sobre o autor de livros como "Nariz Aniz" (1979), "Boca Roxa" (1979), "Comício de Tudo" (1986) e "Letra Elétrika" (1994).

O estilo deliciosamente lúdico é o que mais me chama atenção em sua obra! Espero que os que não o conhecem também se encantem!
Beijo de quarta!
Jr Vilanova.

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domingo, 5 de setembro de 2010

DILEMA(S)


Me responda quem puder: é possível estarmos  felizes e angustiados ao mesmo tempo? Por mais improvável que possa parecer essa resposta, acabo de descobrir que  SIM! Alguns serão categóricos: besteira, já que tais sentimentos  em nada se combinam! Outros, tenho certeza, serão mais sensíveis a minha causa, principalmente, por talvez, quem sabe, já terem passado por dilemas parecidos...

Pois é, meus amados amigos, leitores e blogueiros igualmente especiais, 2010 tem se mostrado  um ano de radicais - e boas, confesso - mudanças. Juro que não é à toa que ultimamente vivo me justificando  por minhas ausências! É a vida real se sobrepondo as minhas atividades virtuais e sinceramente falando, acho que isso poderá acontecer numa frequencia maior do que eu gostaria... taí o porquê da minha alegria e angústia misturadas!

A constante atividade do blog nesse último ano tem me  proporcionado incontáveis alegrias, me  presenteado com  novos contatos, com  a descoberta espaços interessantíssimos, me permitido exercitar  habilidades, desenvolver  idéias e principalmente me aprimorar na arte de escrever (quem foi que disse mesmo que "blogar" é  bobagem?)... mas coisas assim, para serem verdadeiramente prazerosas, necessitam de dedicação e... tempo. Como diria Caetano Veloso, de "tempo, tempo, tempo, tempo"! E ele, "um dos deuses mais lindos", pra mim hoje  tornou-se ouro! A cada dia essa disponibilidade se  mostra mais valiosa e insuficiente. São  as novas responsabilidades profissionais se sobrepondo aos prazeres pessoais...

Não estou dizendo com isso que pretendo desistir desse trabalho iniciado com tanto comprometimento, mas sei que pelo menos nas próximas semanas, ou até meses, as coisas aqui no Contatos Imediatos, possivelmente  não  obedecerão  a mesma dinâmica e eu precisava anunciar  para que não se confundida com descaso e/ou desinteresse no assunto! Pelo contrário.

Continuo o mesmo! Continuarei tentando! As idéias ainda brotam, só a disponibilidade desse blogueiro é que diminuiu um pouco. ME DESCULPO PRINCIPALMENTE COM MEUS AMIGOS BLOGUEIROS, pois prestigiá-los também ficou um pouco mais difícil, mas não pretendo ser esquecido tão fácil! 

Prometo que voltarei, que estarei me fazendo presente dentro do possível.
Obrigado por tudo!
Beijos habituais,
Jr Vilanova.


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sábado, 4 de setembro de 2010

Incrementando a vida...


“Quem conta um conto, aumenta um ponto”... não, não concordo com o ditado popular. Na realidade não é bem assim! Melhor dizer: quem conta um conto “incrementa” vários pontos...
E que bom que é desse jeito, já imaginou o quão sem graça seria a vida sem alguém disposto a desempenhar esse papel? Reconhecer é preciso, incremento é algo substancial pra vida da gente, ou não? O que seria o registro de uma vida sem um bom incremento, gente?


Escrever é mais ou menos como pintar um quadro, só que com um diferencial: sem tintas! Trata-se de um exercício desafiador. Olhar para o papel em branco – ou para uma tela de computador da mesma cor, que seja – e assumir o compromisso íntimo de tentar torná-la mais interessante, diminuindo sua palidez, dando vida e dinamismo ao que antes apenas existia. Indiferente e sem perspectiva.


É um ato de coragem! Convenhamos, é preciso ser corajoso para expor o que se sente, o que se pensa, o que se quer, pois uma vez externalizadas tais particularidades, mesmo que estejam misturadas a mil e um versos, ainda assim sempre haverá alguém capaz de identificá-las e decifrá-las. Então, escrever também é não ter direito a muitos segredos! Quem um dia se propôs a desenvolver um diálogo aberto e sincero com o mundo sabe bem disso.


Do pergaminho ao pixel, desde sempre, a palavra exerce o honroso papel de ser um agente transformador... de dar sentido a tudo, querer – e conseguir - modificar a todos. Quando a palavra se une a música, vira canção. Ao produzir versos, logo se transforma em poesia. As nascidas das reflexões religiosas produzem a fé. Nas mãos dos médicos preservam vidas e na das autoridades viram leis, que por sua vez regem o mundo, que se desdobra na tentativa de se sobrepor ao caos. No cotidiano de qualquer pessoa ela se faz presente – inclusive no seu que me lê agora -. Aliás, essa é uma boa pergunta: no seu universo particular, que efeito produzem?


Se ler é viajar, escrever é conduzir! E quem conduz algo ou alguma coisa precisa de responsabilidade ao manifestar suas percepções do mundo e de todo o resto. Certamente elas conseguirão convencer alguém que tomará pra si aquilo que até então a outro pertencia. Formar opiniões, despertar sentimentos, desagradar, apaixonar... talvez por isso seja tão necessário continuar experimentando! Sem a palavra escrita estaríamos todos cegos!


Escrever também é brincar, mas atenção: brincar com coisa séria! Interagir com uma força que brota em “terra de ninguém” que ao mesmo tempo pertence a todos nós... e isso pode ser bem perigoso... ou maravilhoso!

Maravilha essa que habita na mente de quem escreve e nos olhos de quem lê!


Apolinário Júnior
Maceió, 19/07/09.

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