quinta-feira, 2 de abril de 2009

A lição do dente inchado...

Há alguns dias vinha sentindo um pequeno incômodo na boca... Um dentinho safado que começava a dar sinais que algo não estava direito e de que se não tomasse uma providência logo, poderia ser surpreendido com uma tortuosa noite em claro, pois, como quem já teve sabe, “dor de dente só passa de manhã”! Então agi! Mesmo resistente a médicos e afins, tomei vergonha e fui ao dentista... Tá bom, meio por conta da pressão, confesso, Juliana ordenou: “Vai!” e eu fui!

Corajosamente sentei na cadeira da simpática profissional e enfrentei o problema de frente, que nem gente grande! Olhei bem pra dentista e de forma bastante segura, disse: “Tá tranqüilo, Doutora, manda ver”! Claro que ela não precisava ter levado tão a sério o que eu disse... pegou pesado, tão pesado que pra que eu não desistisse de iniciar os trabalhos, precisou me aplicar uma anestesia - A anestesia em si foi só uma, mas o número de aplicações: três. Três vezes! Sabe como é, nessas horas o psicológico se manifesta de forma implacável e aí já viu, ela nem tinha começado ainda e eu já dizia: “Tá doendo”! –. Daí em diante ela “futucou” meu dente de tudo que era jeito, com todos aqueles utensílios que ficam em cima da bandejinha...rs... Eu e minha mania de falar demais!

É, mas todo pranto tem seu fim! Com o problema – da dor – resolvido, me levantei agradecido e aliviado e saí da sala, todo orgulhoso da minha coragem - sem risos, por favor -... Foi justamente aí que começou a nascer essa crônica! Imagine você que por conta das três anestesias que tomei meu rosto reagiu de forma inusitada... A sensação era estranhíssima e mais estranha ainda foi a imagem que vi ao me olhar no espelho do consultório... O lado que fora duramente “futucado”, inchou! Por conta do efeito anestésico, a boca estava torta. Parecia um quadro de derrame facial! Confesso que tomei um grande susto, mas nada parecido com o que viria pela frente: a reação das pessoas nos lugares por onde passei... Olhares curiosos, indiscretos, debochados, invasivos... Passei a me sentir mais incomodado com aquelas reações do que propriamente com meu estado, que sabia, seria momentâneo. Não demorou e eu me descobri completamente constrangido e envergonhado! Imaginei e concluí: “Se pra mim está sendo assim, como deve ser difícil pra quem precisa conviver com problemas semelhantes, porém, de forma irreversível”!

Aí está a grande lição disso tudo pra mim – e pra você? -. Por um momento eu pude perceber exatamente como se sentem os verdadeiros portadores de deficiências várias que não conseguem ser enxergados com normalidade! Pude compreender melhor, por exemplo, porque muitas pessoas que possuem algum problema físico parecem sempre estarem mal-humoradas! Talvez seja a forma que encontraram para se defender dessa condenação involuntária que, por mais que nasça de uma falta qualquer de sensibilidade, incomoda demais! Senti na pele como é difícil ser notoriamente diferente, e mais, como nós podemos nos tornar extremamente cruéis e indelicados sem nem ao menos perceber!
É preciso estar atento, evitar comentários desnecessários, seja para quem sofreu algum acidente grave, pra quem já nasceu com alguma limitação ou apenas aumentou de peso e não conseguimos disfarçar a surpresa ao nos depararmos com tal pessoa! O exercício proposto é o bom e velho “colocar-se no lugar do outro”! E o que falo nada tem a ver com “pena”, com uma compaixão piegas ou com hipocrisia, mas com respeito, isso, respeito! Não pra mim, cujo rosto já voltou ao normal, mas para com aqueles que precisam conviver com realidades distintas.

Agora você vai me responder sobre a moral da história... “A lição do dente inchado” diz:

Opção 1: “Que devemos escovar os dentes três vezes ao dia”;

Opção 2: "Que devemos usar sempre fio dental e anticéptico bucal”;

Opção 3: “Que devemos tentar ao máximo controlar nossa natural e inerente indiscrição e procurar entender a situação do outro, tornando as coisas mais fáceis para aqueles que precisam conviver com qualquer problema, de qualquer natureza”.

Será que vamos ter que passar por situações difíceis pra reconhecer e corrigir determinados comportamentos? Melhor, não né? Não estamos nesse lugar por acaso, nem de férias, nem inertes... Existe um porquê pra tudo, existe um aprendizado a ser concluído, construído, precisamos despertar pra verdades imutáveis independente de questões religiosas – antes que eu seja mal interpretado! -. Todos os dias de nossas vidas estão tentando nos dizer algo a todo momento, basta ter "olhos de enxergar, ouvidos de escutar"!

"Por onde passará o amor se a ponte quebrar?"...
Essa é a minha mensagem para essa quinta-feira!

Bom dia.
PS: Um grande abraço para Cláudia e Nandita! Li os comentários, viu? Brigado!
Apolinário Júnior
Música: Retiros Espirituais(Gilberto Gil)
Intérprete: Gilberto Gil.

5 comentários:

Anônimo disse...

ahh Júnior....ri demais no começo, sou tão corajosa quanto vc (até aí escolheria as opções 1 e 2...rs). Logo em seguida uma profunda reflexão sobre o texto. Sábias palavras. OPÇÃO 3 CLARO e EVIDENTE!! Este texto traduz o que muitos sentem e não conseguem expressar. Cada um de nós podemos contribuir para uma melhoria desse quadro. Hoje vc deu um passo muito importante com essa reflexão!!PARABÉNS meu amigo!!
Tenha um excelente dia!!!
bjs Dinha

Patricia disse...

Ju, que interessante...
Hoje rewcebi um recado da escola de Deby que em comemoração a páscoa, irão visitar o Lar das Meninas. E quem pudesse levar um ovo de páscoa ou uma caixa de chocolate para fazer uma doação a uma das meninas lá. Falei com Deby que ia levar... e venho lhe visitar hoje e vc me fala de "se colocar no lugar do outro" legal, não é?
Gostei da reflexão...
Bj.

Wanessa Vila Nova disse...

Jr AMEI o blog!!!
Vida inteligente na web...
bjos

Anônimo disse...

Meninooooooooo.. falando em dentes, me lembro que preciso ir ao dentista. kkkkkkkkkkkkkkkkk...
Posso pensar na opção!?!?!? rs.. brincadeirinha..
bjosssssssss,
Nandita

contatosimediatos disse...

Adorei os comentários!

Não canso de agradecer! Cad apalavra simpática que leio me diz: "Continue"!

Um beijo, "minhas meninas"!

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